De treinos a competições, a saúde da boca pesa no placar do rendimento esportivo. Para o cirurgião-dentista Dr. Danilo Henrique Lattaro, o tema ainda é subestimado. “A saúde bucal tem um papel muito mais amplo do que se imagina no desempenho físico de atletas, sejam eles profissionais ou amadores”, afirma.
Segundo o especialista, o corpo precisa estar em equilíbrio para responder bem a cargas intensas, viagens e processos de recuperação. “Condições bucais desfavoráveis podem não apenas causar dor ou desconforto, mas comprometer diretamente o rendimento esportivo”, diz. A Odontologia do Esporte, já reconhecida como especialidade, ganhou espaço justamente pela prevenção de lesões e pelo monitoramento da saúde de quem vive de performance.
Inflamação na boca, lesão no corpo
Inflamações crônicas originadas na boca podem reverberar longe do espelho. “Problemas aparentemente simples, como gengivites, periodontites e cáries, elevam o estado inflamatório crônico do organismo”, explica Lattaro. “Esse processo sistêmico pode predispor o atleta a lesões musculares, inclusive em regiões distantes da cavidade bucal.”
Na prática, isso significa maior risco de estiramentos recorrentes e recuperação mais lenta após uma lesão. Como lembra o especialista, a inflamação ativa tende a retardar a cicatrização, reduzindo a capacidade de treinar em intensidade máxima e atrasando o retorno às competições.
Infecções que viajam pelo corpo
Além da inflamação, bactérias de infecções bucais podem entrar na corrente sanguínea e atingir órgãos vitais. “Quando entram na corrente sanguínea, podem atingir órgãos vitais como coração e pulmões, provocando quadros que vão de endocardite a infecções respiratórias”, alerta. Situações assim interferem diretamente na performance, comprometem o fôlego e podem exigir afastamento temporário do esporte.

Proteção, recuperação e atenção ao doping
No campo da prevenção, os dispositivos personalizados fazem diferença. “Protetores bucais individualizados, usados em esportes de contato, reduzem drasticamente o risco de fraturas dentárias, cortes nos lábios e lesões nas gengivas”, destaca Lattaro. Já os protetores faciais, as máscaras usadas após fraturas, permitem o retorno gradual ao esporte com segurança, mesmo antes da consolidação óssea completa.
O dentista também chama atenção para um ponto sensível no alto rendimento: substâncias proibidas. “Por fim, é importante lembrar que determinadas substâncias e métodos utilizados na odontologia podem levar o atleta ao doping positivo quando não há orientação especializada.” Por isso, ele reforça a necessidade de integração entre dentista e equipe multidisciplinar no planejamento de treinos, tratamentos e retorno às competições.
A mensagem final é direta. “Todos esses fatores reforçam que o cuidado com a saúde bucal não deve ser encarado apenas como um complemento, mas como parte estratégica da preparação física.” Em outras palavras: boca saudável significa menos lesão, recuperação melhor e desempenho mais alto.



