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Em dez dias, diesel já acumula alta de mais de R$ 1,00/litro e revendedores relatam dificuldade para adquirir o produto

Mercado aponta que a Petrobras já está “limitando o fornecimento” do combustível que abastece 99% da frota de caminhões do País

Bomba de combustível em posto de Ribeirão Preto | Foto: Melo de Carvalho (TH+ Portal)

A Central de Monitoramento da Associação Núcleo Postos de Ribeirão Preto, que reúne 85 revendedores da cidade e região, apurou que nos últimos dez dias (desde que começou o conflito entre EUA/Israel x Irã, no Oriente Médio) o preço do litro de diesel já acumula um aumento médio que supera R$ 1,00 das distribuidoras para os postos.

Na gasolina, a alta média acumulada é de mais de R$ 0,50/litro no mesmo período. Nesta segunda (9), o mercado já apresenta impactos dessa elevação dos preços nas bombas.

Desde a semana passada os postos estão tendo dificuldade em comprar diesel e gasolina das distribuidoras que, por sua vez, alegam estar havendo uma limitação de volume no fornecimento de combustíveis por parte da Petrobras.

“Ainda não sabemos se é apenas uma estratégia de preço das distribuidoras, uma limitação de fornecimento para não faltar diesel e gasolina no mercado ou se já vivemos, na prática, o início de um ‘racionamento’. Vale dizer que o diesel abastece 99% da frota de caminhões do País. O cenário é incerto e preocupante, e não sabemos quanto tempo vai durar!”, afirma Fernando Roca, presidente da entidade.

Outro ponto relevante é que o Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico (por onde são escoados cerca de 20% do petróleo que abastece o mercado global), continua fechado pelas Forças Armadas do Irã que bombardearam refinarias de países vizinhos.

Cotação e defasagem

Nesta segunda-feira (9), a cotação do barril de petróleo brench no mercado internacional chegou a bater em US$ 120, praticamente o dobro do preço de dez dias atrás (US$ 61). Segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), a defasagem entre os preços praticados no Brasil e os do mercado internacional, alcançou os seguintes patamares:

– Diesel: 78% (principais polos) e 85% (polos da Petrobras), que equivale a R$ 2,74/litro.
– Gasolina: 46% (principais polos) e 49% (polos da Petrobras), que equivale a R$ 1,22/litro.

De acordo com Roca, “Por enquanto a Petrobras não anunciou oficialmente nenhum reajuste de preços para o diesel e a gasolina. Resta saber até quando a estatal vai aguentar a pressão do mercado externo”, observa o presidente.

Impacto no etanol confirmado

A alta de preços do diesel e da gasolina já fez aumentar a procura por etanol, nos postos. Nos últimos dez dias, o etanol já sofreu aumento médio de R$ 0,10/litro, das distribuidoras para os postos, e é provável que essa tendência continue.

É preciso lembrar que ainda estamos na entressafra da cana-de-açúcar, período em que as usinas param de produzir etanol para fazerem a manutenção de seus equipamentos, e que a última safra registrou baixa na produção do biocombustível. E os atuais estoques reguladores precisam suprir, ao mesmo tempo, a adição oficial de 30% de etanol no litro de gasolina e a demanda dos consumidores nos postos. “Não tem como o atual cenário não causar um efeito cascata de preços junto ao setor produtivo nacional. Sem falar na pressão inflacionária que tende a impactar na taxa Selic e em outras variáveis da economia”, destaca.

Mais do que nunca

A Associação Núcleo Postos de Ribeirão Preto orienta o consumidor a ficar muito atento à regra de paridade, ao abastecer. Se o preço do litro do etanol corresponder a no máximo 70% do preço do litro de gasolina, será mais vantajoso abastecer com etanol.

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