Sangramento fora de hora, inchaço que não passa e dor pélvica persistente podem ser alertas do corpo. Para a oncologista clínica Larissa Müller Gomes, reconhecer esses sinais e buscar avaliação rápida faz diferença no tratamento e na qualidade de vida.
Câncer no útero: sinais de alerta
Segundo a especialista, o câncer que se forma no revestimento interno do útero é um dos mais frequentes entre os tumores ginecológicos e costuma dar indícios mais cedo. “O sintoma mais clássico é o sangramento uterino anormal, especialmente após a menopausa”, afirma. Também podem ocorrer menstruações muito intensas, escape entre ciclos, corrimento aquoso e dor pélvica persistente.
Entre os fatores que elevam o risco estão obesidade, hipertensão, síndrome dos ovários policísticos, uso prolongado de estrogênio sem progesterona, histórico familiar e hábitos de vida que favorecem desequilíbrios hormonais, como sedentarismo e resistência à insulina.
Há boas perspectivas quando há detecção antecipada. “A boa notícia é que, quando diagnosticado precocemente, o câncer de endométrio apresenta altas taxas de cura”, diz Gomes. Ela reforça: “Qualquer alteração no padrão de sangramento deve motivar avaliação imediata com ginecologista”. Exames como ultrassom transvaginal e biópsia do endométrio ajudam a confirmar o diagnóstico e orientar o tratamento.

Câncer nos ovários: atenção ao “tumor silencioso”
O câncer de ovário, por outro lado, costuma avançar sem sinais específicos no começo. “Diferentemente do câncer de endométrio, o câncer de ovário costuma ser mais silencioso”, explica a médica. Entre os sintomas que merecem atenção estão sensação de inchaço abdominal persistente, dificuldade para se alimentar, saciedade rápida, dor pélvica, alterações urinárias e desconforto intestinal contínuo.
O risco aumenta com a idade (acima de 50 anos), presença de mutações genéticas como BRCA1 e BRCA2, histórico familiar, menarca precoce, menopausa tardia e não ter tido filhos. “Embora não exista exame de rastreamento eficaz para a população geral, mulheres com alto risco genético podem se beneficiar de acompanhamento diferenciado, testes específicos e até as chamadas cirurgias redutoras de risco”, orienta.
Para investigar, são utilizados ultrassom, exames de sangue como o marcador CA-125 e, quando necessário, tomografia ou ressonância. A confirmação costuma ocorrer com avaliação cirúrgica, e o tratamento combina cirurgia e quimioterapia conforme o estágio da doença.
O recado final
Sinais do corpo não devem ser ignorados. “Cuidar da saúde ginecológica passa por atenção aos sinais do corpo e consultas regulares”, resume Larissa Müller Gomes. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de um tratamento eficaz e de preservação da qualidade de vida.



