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Mulheres lideram diagnósticos de Burnout no Brasil

Adriana Maciel
Adriana Maciel
Adriana Maciel é formada em Administração com MBA em Gestão de Pessoas. Também é Analista de Perfil Comportamental e Especialista e Estrategista em Carreiras, com mais de 15 anos de experiência profissional na área de Recursos Humanos focada em Recrutamento e Seleção, Treinamento e Desenvolvimento Humano Organizacional. Atua também como Consultora e Mentora de Carreira, voltada ao Desenvolvimento e Direcionamento Estratégico para profissionais. Possui vasta experiencia na área de RH com atuação em diversos ramos do mercado: Tecnologia, Indústria, Construção Civil, Comunicação e Serviços.
adriana maciel

No mês de março, quando celebramos o Dia Internacional da Mulher, uma informação recente divulgada com base em dados do IBGE acende um sinal de alerta no mercado de trabalho: as mulheres lideram o número de profissionais diagnosticados com Síndrome de Burnout no Brasil.

Mais do que um dado estatístico, esse cenário revela uma realidade estrutural que precisa ser discutida com seriedade dentro das empresas, da sociedade e das famílias.

Estudos recentes apontam que cerca de 60% dos diagnósticos de burnout ocorrem entre mulheres, além de um número recorde de afastamentos por transtornos mentais relacionados ao trabalho, evidenciando o impacto direto da sobrecarga feminina na saúde emocional. Falar sobre isso em março não é apenas oportuno: é necessário.

A jornada invisível que adoece: por que as mulheres são mais afetadas. A alta incidência de burnout entre mulheres não acontece por acaso. Ela está diretamente ligada à realidade que muitas ainda vivem no mercado corporativo.

  1. Tripla jornada: carreira, casa e responsabilidade emocional
    Mesmo com avanços profissionais, muitas mulheres continuam acumulando funções dentro e fora do trabalho, sendo responsáveis por família, filhos, organização da casa e cuidado emocional de todos ao redor. Essa sobrecarga constante aumenta o risco de esgotamento físico e mental.
  2. Desigualdade salarial e pressão por performance
    Dados mostram que mulheres ainda recebem, em média, menos que homens na mesma função, o que gera maior pressão para provar competência, produzir mais e conquistar reconhecimento.
  3. Penalização da maternidade
    A maternidade ainda é vista por muitas organizações como obstáculo, e não como parte natural da vida. Pesquisas indicam que parte significativa das mulheres sofre impacto na carreira após a gestação, aumentando insegurança, ansiedade e desgaste emocional.
  4. Falta de políticas corporativas voltadas para a realidade feminina
    Ambientes de trabalho ainda são estruturados com modelos antigos, que não consideram diferenças biológicas, emocionais e sociais entre homens e mulheres, contribuindo para o adoecimento.

Burnout feminino não é fragilidade — é excesso de responsabilidade

É importante deixar claro: o aumento do burnout entre mulheres não significa que elas são mais fracas. Significa que elas estão suportando mais do que deveriam.

São profissionais que entregam resultados, cuidam de pessoas, administram conflitos, mantêm a produtividade e ainda tentam preservar a própria saúde mental. E muitas vezes fazem tudo isso em silêncio.

Reflexão necessária no mês da Mulher
Celebrar o Dia da Mulher não pode ser apenas entregar flores ou publicar mensagens bonitas.
É preciso olhar para os números e reconhecer que o mercado de trabalho ainda exige muito mais das mulheres do que dos homens.

Se queremos um ambiente corporativo saudável, produtivo e moderno, precisamos de ações reais:
• Políticas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional
• Respeito à maternidade
• Igualdade salarial
• Lideranças mais humanas
• Cultura organizacional que não normalize a exaustão

Cuidar da saúde mental das mulheres não é apenas uma pauta social. É uma pauta estratégica para o futuro do trabalho.

Neste mês de março, a informação de que mulheres lideram os casos de burnout deve servir como um chamado à consciência. Não é a mulher que precisa ser mais forte. É o sistema que precisa ser mais justo.

Enquanto a sociedade continuar exigindo que a mulher seja profissional exemplar, mãe presente, esposa dedicada, emocionalmente equilibrada e produtiva o tempo todo, o burnout continuará crescendo.

Reconhecer essa realidade é o primeiro passo. Mudar essa realidade é responsabilidade de todos.

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