Por muito tempo, cirurgias urológicas foram associadas ao medo de perder o controle da urina ou de ter impacto na vida sexual no pós-operatório. Nos últimos anos, porém, esse cenário começou a mudar com a evolução da cirurgia robótica, que ampliou a precisão do procedimento e trouxe um foco maior em preservar funções importantes para a qualidade de vida.
A principal diferença está no nível de detalhe com que o médico consegue enxergar e trabalhar dentro do corpo. A tecnologia combina visão tridimensional ampliada e movimentos mais controlados, o que facilita lidar com estruturas delicadas, como nervos e vasos ligados à ereção e à continência urinária.
Mais precisão para preservar nervos e reduzir sequelas
Na prática, a cirurgia robótica permite uma “separação” dos tecidos com mais cuidado e menor trauma. Com isso, diminui o risco de lesões que podem comprometer a ereção ou o controle urinário, além de favorecer suturas e reconstruções mais delicadas, o que tende a melhorar a recuperação quando comparado a técnicas tradicionais.
O médico Marcos Tobias Machado destaca que a busca atual é por abordagens que poupem ainda mais as estruturas ao redor da próstata. “Os investigadores nessa área estão atualmente buscando alternativas que possam preservar mais as estruturas anatômicas que circundam a próstata como vasos e nervos, promovendo uma recuperação funcional maior e também mais rápida”, afirma.
Segundo ele, uma das técnicas que seguem essa linha é a Retzius Sparing. “Com a cirurgia Retzius Sparing, que utilizamos desde 2016 e temos a maior experiência na América Latina, mais de 90% dos pacientes operados controlam a perda de urina após 30 dias da cirurgia, em comparação a outras técnicas onde o resultado é 30-80%”, diz.

Recuperação do controle da urina e da função sexual
O avanço tecnológico também tem refletido em resultados funcionais. De acordo com o artigo, estudos recentes apontam taxas mais altas de recuperação mais cedo da continência urinária e melhores desfechos ligados à função erétil, sobretudo quando há boa seleção de casos.
Isso não significa que o risco desapareceu, mas indica uma redução importante das sequelas que historicamente preocupavam pacientes e famílias. Outro efeito citado é o retorno mais rápido às atividades diárias, já que a agressão cirúrgica tende a ser menor.
Tecnologia ajuda, mas não substitui experiência
O texto ressalta que o robô não opera sozinho: os ganhos dependem da combinação entre tecnologia, treinamento e indicação adequada. Nem todos os casos exigem cirurgia robótica, mas, para muitos pacientes, ela representa uma mudança concreta ao permitir tratar a doença sem perder de vista como será a vida depois da cirurgia.



