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“É uma guerra psicológica”, relata libanesa no Brasil

A primeira coisa que Zeinab Salman faz ao acordar, em São Paulo, é ligar para a família que está no Líbano: “Ligo a cada duas, três horas, antes de dormir”. Essa é a tensão com a qual a libanesa, que veio para o Brasil em 1994, convive diariamente após as ofensivas de Israel contra o país.

“Às vezes estou falando com eles: ‘Ai, tenho que desligar, bombardeios, bombardeios’. Por que eles desligam? Porque eles precisam ouvir onde está sendo o bombardeio para saberem… É uma guerra psicológica também. Você não está seguro em lugar nenhum, desabafa.

No conflito, a geometria também está presente, mas para fim de sobrevivência. Segundo Zeinab, os cerca de 100 membros da família que ainda estão no território libanês tiveram que mudar de bairro ou cidade. “Alguns se refugiaram em casa de amigos. Outros conseguiram alugar lugares em regiões não bombardeadas, ironicamente falando em regiões cristãs”.

Ela explica que essas áreas costumam ser poupadas dos ataques, o que revela a ironia do impacto da guerra: “Parece que você está em outra realidade”. É o caso dos irmãos que moravam no subúrbio de Dahi e hoje vivem a apenas 15 minutos dali, em um mundo completamente diferente.

Mesmo com os alvos seletivos, a solidariedade é universal. “Você esquece tudo: diferença econômica, religiosa… Tá todo mundo junto”. Durante a guerra, as aulas foram suspensas com a promessa de ensino remoto, que não se concretizou devido à falta de energia.

As escolas, no entanto, se tornaram locais de acolhimento; igrejas e mesquitas passaram a servir alimento às vítimas do conflito.

Perspectivas

As agressões de Israel contra o Líbano remontam à década de 1980, mas se intensificaram após o ataque do grupo Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 – o ataque aconteceu em meio à aproximação de EUA e Arábia Saudita e sentimento de exclusão e expulsão dos palestinos do seu território.

Logo após a data, o Exército israelense deu início a uma campanha militar que já vitimou mais de 72 mil pessoas e destruiu cerca de 80% das casas no território palestino. No Líbano, Israel justifica a perseguição ao Hezbollah, grupo armado que faz resistência aos avanços do governo Netanyahu.

“O Hezbollah cumpriu com acordo durante 15 meses, porém Israel continuou. Foram mais de 500 mártires, entre eles crianças, mulheres e idosos”, conta Zeinab, que relembra que “esta guerra não é entre soldados, mas contra a comunidade”.

Para o professor Fabio Chap, o cenário ganha contornos de estratégia regional. Ele explica que a retirada das tropas dos EUA da região, seja por recuo ou derrota – também é vantajosa para Israel:

“Com a perda de bases norte-americanas, a influência de Israel pode ser maior que a dos Estados Unidos nos próximos anos”. Segundo o cientista político, esse vácuo favorece o plano de expansão territorial sobre os vizinhos.

Sobre a possibilidade de sair do país, Zeinab afirma que a família não tem vontade, mesmo sob ataque. O vínculo com a cultura e a terra é mais forte:

“O Líbano é a antiga Fenícia. É um povo que não desiste. É um povo que das cinzas renasce, dos escombros sai. E é um povo que nós não temos a cultura da morte, nós temos a cultura da vida. Então, nós pagamos com a vida para ter uma vida digna, não uma vida submissa”, ressalta.

Apelo internacional

O temor de Zeinab ecoa nos corredores das organizações internacionais. Em comunicado emitido neste dia 8 de abril de 2026, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) manifestou profunda indignação com a escalada de violência em áreas densamente povoadas, incluindo a capital Beirute. Agnès Dhur, chefe da delegação local, destacou que o aumento dos ataques mergulhou o país em “pânico e caos”, atingindo civis e profissionais de saúde.

Enquanto isso, o tabuleiro diplomático segue instável. Horas após os Estados Unidos anunciarem a pausa nos ataques contra o Irã, Israel continuou a ofensiva no país vizinho, com um saldo de 200 mortos e mais de mil feridos.

Donald Trump insinuou que o Líbano não fazia parte do acordo de cessar-fogo com o Irã, enquanto o Paquistão classificou os bombardeios como uma “situação negativa”. O Catar condenou a “série brutal” e a violação da soberania libanesa e da Resolução 1701 da ONU. Já o Irã declarou que não irá reabrir o Estreito de Ormuz enquanto Israel continuar atacando o país ou qualquer território “amigo”.

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