O presidente o PL da Paraíba, senador Efraim Filho e o deputado estadual e ex-candidato a prefeito de Cabedelo, Walber Virgulino, reuniram a imprensa na manhã desta terça-feira (14) em João Pessoa. A coletiva foi após a operação da Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público da Paraíba, por meio do Gaeco, e a Controladoria-Geral da União, que resultou no afastamento do prefeito eleito de Cabedelo, Edvaldo Neto.
O senador Efraim Filho afirmou que o partido vai atuar para suspender a diplomação do prefeito eleito. “A diplomação no dia 20 tem de ser suspensa, para que a gente possa evitar a perpetuação da organização criminosa no poder”, declarou. Ele também defendeu uma medida judicial imediata. “O primeiro pedido aqui é para a suspensão, uma liminar para a suspensão da diplomação agendada para o dia 20”, disse. Efraim acrescentou que o grupo político pretende evitar uma nova eleição no município. “Qual seria a solução? Marcar uma terceira eleição em Cabedelo? Não dá”, afirmou.
O deputado estadual Walber Virgolino também comentou a operação e afirmou que já denunciava irregularidades. “Eu venho falando isso desde 2018. E o povo de Cabedelo falando disso há mais de 15 anos”, disse. Ele criticou a gestão municipal e associou os problemas da cidade ao esquema investigado. “São 270 milhões desviados da saúde, da educação, da infraestrutura. É por isso que a cidade está cheia de lixo e sem medicamento”, afirmou.
Walber também declarou que pretende atuar judicialmente para mudar o resultado da eleição. “O que a gente espera é que o Ministério Público peça a suspensão da diplomação e que a Justiça olhe para as provas já apresentadas”, disse. Sobre a possibilidade de mudança no comando da prefeitura, aliados do PL afirmaram que aguardam a comunicação oficial da decisão à Câmara Municipal. Após esse trâmite, o presidente da Casa, José Francisco Pereira, pode assumir interinamente o cargo.
A operação
A Operação Cítrico apura a atuação de uma organização criminosa envolvida em fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível financiamento de facção criminosa no município. A investigação identificou um esquema que utilizava contratos públicos para favorecer empresas fornecedoras de mão de obra ligadas à facção conhecida como “Tropa do Amigão”, associada ao Comando Vermelho. Os investigadores apontaram infiltração de integrantes em estruturas da Prefeitura de Cabedelo e circulação de recursos públicos em benefício do grupo.
Os órgãos envolvidos também identificaram a participação de agentes políticos, empresários e integrantes da organização criminosa em um consórcio voltado à manutenção de contratos de alto valor. Os valores sob investigação podem chegar a R$ 270 milhões. As equipes cumprem 21 mandados de busca e apreensão e aplicam medidas cautelares, incluindo o afastamento do prefeito e de servidores públicos. A força-tarefa mantém diligências e avalia responsabilizações criminais.
A eleição suplementar que definiu o atual gestor ocorreu após a cassação do mandato anterior. Edvaldo Neto venceu a disputa com 16.180 votos, o equivalente a 61,21% dos válidos, enquanto Walber Virgolino obteve 10.255 votos, com 38,79%. A diferença entre os candidatos chegou a 22,51 pontos percentuais.
Defesa
A defesa do prefeito Edvaldo Neto informou que recebeu a decisão com serenidade e destacou que a medida tem caráter provisório. Em nota, afirmou: “Absoluta tranquilidade quanto à apuração dos fatos, certo de que, no curso do processo, todas as circunstâncias serão esclarecidas”. A defesa também negou qualquer ligação com facção criminosa.



