Neste 17 de abril de 2026, a cantora, compositora e produtora musical paulistana Céu celebra 46 anos de vida. No ano passado, completamos 20 anos do lançamento de seu primeiro álbum, intitulado “Céu“. Hoje, faremos uma visita a este disco tão importante, que apresentou a artista ao Brasil inteiro – e depois ao mundo!
20 anos de “Céu”
Mesclando influências da MPB, do samba, do reggae, dub, hip-hop, do jazz, do afrobeat e do R&B em seu trabalho – e com uma trajetória marcada por inovação – Céu é uma das mais importantes artistas da música brasileira da sua geração.
Filha de Edgard Poças – maestro e compositor brasileiro, responsável pelos arranjos musicais e composições do grupo Balão Mágico e por diversas canções interpretadas por grandes nomes da nossa MPB – Céu entrou em contato com a música ainda muito jovem.
A cantora surgiu no cenário nacional em 2005, com a estreia do seu primeiro disco, autointitulado “Céu”, em que ela é coautora de 12 das 15 faixas, e que lhe rendeu reconhecimento nacional e internacional, tendo sido uma das primeiras brasileiras a ser indicada ao Grammy Awards, na categoria Melhor Álbum de World Music Contemporânea, em 2007.
O álbum também lhe rendeu a entrada na concorrida lista da “Billboard” – um feito raro para um artista brasileiro – onde Céu alcançou a 57ª posição. Já no Grammy Latino, a cantora foi indicada como Artista Revelação daquele ano.
Produzido por Beto Villares e Antônio Pinto (apenas na música “Ave Cruz“), o álbum conta com co-produção de Céu e faixas de destaque como “Lenda” (parceria da cantora com Alec Haiat e Graziella Moretto), “10 Contados” e “Malemolência” (ambas parcerias com Alec Haiat), além da regravação de “Concrete Jungle”, de Bob Marley.
Hoje já somando nove álbuns lançados e uma estética musical que inspira toda uma geração de artistas, podemos afirmar que o sucesso que Céu conquistou a partir do seu primeiro disco abriu mercado e mídia para o surgimento posterior de cantoras e compositoras de uma nova cena na época – considerada “indie” – como Tiê e Tulipa Ruiz.
Segundo a cantora em entrevista recente ao site da Billboard – quando estava lançando a turnê “Céu 20 anos”, com a qual rodou o Brasil para celebrar as duas décadas do lançamento de seu primeiro álbum – ela segue até hoje fazendo escolhas que condizem com suas crenças, em meio a uma indústria competitiva e comercial:
“Talvez seja essa a minha forma de ser política. Pode às vezes não ser a mais fácil em termos de mercado, mas vai ao encontro com o amor e respeito que tenho pelo ofício do criador enquanto músico e poeta. Não é simples essa equação, acaba que também é estratégico”.
E explica, contextualizando as faixas do primeiro álbum: “‘Lenda’, ‘Bobagem’, seguem hinos feministas, ‘Rainha’ e o aprofundamento cada vez mais importante, implacável e necessário do quanto o mundo ainda precisa evoluir e investigar as pautas raciais. ‘Roda’ também segue com uma mensagem bastante atual, abrindo a música com ‘consciência, maior arma, mapa para qualquer lugar’”.
“Bobagem” e“Rainha” são composições solo da cantora e “Bobagem” é mais uma parceria com Beto Villares.
Os álbuns que vieram a seguir
Em 2009, foi a vez do segundo álbum de Céu – “Vagarosa” – que também recebeu grande aclamação da crítica nacional e internacional.
Com 12 composições próprias de Céu – sozinha e com parceiros – além de uma releitura do clássico “Rosa Menina Rosa”, de Jorge Ben Jor, alguns dos sucessos do disco são:“Cangote” e“Bubuia” (parceria com Anelis Assumpção e Thalma de Freitas, que participam da faixa, formando o com Céu o trio Negresko Sis).
A revista Rolling Stone Brasil elegeu o disco – que também traz participações de Luiz Melodia e da banda Los Sebosos Postizos – como o melhor de 2009.
Com o lançamento do álbum, Céu foi eleita pela revista Época como uma das “100 personalidades mais influentes do Brasil”.
Em 2012, foi a vez da artista lançar o álbum “Caravana Sereia Bloom” e fazer a turnê “Catch on Fire”, em que interpretou o antológico disco de “Bob Marley & The Wailers”, com sucessos inesquecíveis do reggae.
No fim de 2014, a cantora lançou seu primeiro álbum“Ao Vivo” e – em 2016 – veio o quarto de estúdio de Céu, “Tropix”, o mais aclamado de sua carreira e que rendeu à cantoradois Grammy Latinos: Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa e Melhor Álbum de Engenharia de Gravação.
Com produção de Pupillo e do francês Hervé Salters, desse álbum destacam-se as canções: “Perfume do Invisível”, “Varanda Suspensa” e “A Menina e o Monstro”, todas composições solo de Céu.
Sobre as influências de “Tropix” – eleito o melhor disco brasileiro de 2016 pela revista Rolling Stone Brasil, a cantora declarou em entrevista:
“Sou da geração nascida em 1980, então, para mim, é natural estar revendo um pouco os 90, 80. Curto fazer as coisas de maneira um pouco lúdica também. As ideias existem, as músicas existem, as letras existem, mas acho que as roupagens, a estética podem ser leves. Eu estava com vontade de flertar com algumas coisas mais sintéticas, mesmo sendo desse jeito: brasileira, tropical, uma maquininha atrás dos trópicos. Enfim, era um desejo de entender os nossos mecanismos e nossas maquinárias, e isso tudo fecha um conceito para mim. Daí o título do disco, Tropix, numa espécie de união da tropicalidade brasileira com o vintage – e digital – pixel”.
Entre 2017 e 2018, Céu integrou a turnê “Refavela 40”, em comemoração aos 40 anos do clássico disco de Gilberto Gil, de1977, juntamente com Gil e seus filhos Bem Gil e Nara Gil.
O quinto álbum de estúdio de Céu, “APKÁ!” – co-produzido por ela, junto com Pupilo e Hervé Salters, em 2019 – também venceu o Grammy Latino de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, além de ser indicado à categoria de Melhor Álbum de Engenharia de Gravação.
A faixa “Pardo”, composta por Caetano Veloso, também foi indicada na categoria de Melhor Canção em Língua Portuguesa e o disco foi eleito um dos 25 melhores álbuns brasileiros do segundo semestre de 2019 pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
A palavra que dá título ao álbum, “APKÁ!”, veio do segundo filho da artista, Antonino. De acordo com Céu, esta foi uma palavra inventada por ele – e uma das primeiras que pronunciou – para expressar satisfação ou alegria. Repetida de forma reiterada ao longo do processo de construção do disco, a cantora concluiu que essa seria a melhor forma de traduzir o trabalho: como um grito de satisfação – e de alerta – para o mundo.
Outra faixa de destaque desse álbum é “Coreto”, composição solo da cantora.
No ano de 2021, Céu lançou mais dois discos: “Acústico”, com alguns dos seus grandes sucessos, e “Um Gosto de Sol”, seu primeiro álbum exclusivamente como intérprete. Nele, a artista interpreta grandes clássicos que influenciaram sua carreira, celebrando nomes como Milton Nascimento, Rita Lee e Alcione.

O álbum mais recente de Céu é de 2024: “Novela”. Em 2025, ela participou do show e álbum “Corona Luau MTV: Homenagem a Cássia Eller (Ao Vivo)”, ao lado de Nando Reis e Os Garotin.
O trabalho da cantora alcançou audiências globais, estando presente em filmes, séries e turnês que passaram por capitais mundiais e festivais renomados, como Coachella, Rock in Rio, Lollapalooza, Montreal Jazz Festival e Roskilde (DK), entre outros.
Sua presença na mídia internacional é notável, com participações em programas como “Later… With Jools Holland”, da BBC, e destaque em veículos comoThe New York Times, Billboard, The Guardian, Mojo Magazine, Q Magazine e Sunday Times.



