Hoje, olhando para o nosso tempo, a pergunta já não é apenas histórica. Ela é atual. E desconfortável pra mim.
Na semana passada, assistimos ao presidente americano ameaçar: “Uma civilização inteira morrerá esta noite , para nunca mais ser trazida de volta” A frase ecoou o dia todo. O mundo assistiu a ameaça como moeda de troca.
Antes de completar 90 minutos do seu prazo estabelecido, anunciou o cessar fogo. A linguagem de extinção foi usada. Foi usada sem medo, sem cerimônia e validade por muita gente.
Esse mesmo presidente postou uma foto toscamente gerada por IA se perfazendo de jesus, para apagar o post no dia seguinte e dizer em sua defesa que era Meme. E dessa vez, encontramos um pouco mais de gente para se indignar. Que ironia, ne?!
Parece que o problema não é mais o que se diz, e sim quem se sente ofendido. E isso inverte completamente os valores humanos.
Regras básicas: ameaças não são opinião. A linguagem não é neutra. A linguagem muda o comportamento coletivo.
E é aqui que entra a nossa parte. Porque, se estamos sentados na plateia desse planeta, observando pessoas irresponsáveis com o que dizem, precisamos nos perguntar se estamos fazendo igual. No trabalho e na vida digital, o bom comportamento verbal é necessário.
Devemos nos perguntar antes de falar ou postar:
— Isso desrespeita alguém?
— Isso deslegitima a existência, a dor ou a experiência do outro?
— Isso reduz pessoas a rótulos, números ou caricaturas?
Temos que compreender que ironia, sarcasmo e “brincadeiras” também comunicam valores.
Falar e apagar depois não apaga o impacto.
Falar é um ato político, ético e humano.
E o mundo comum — esse espaço entre nós — só se sustenta se temos compromisso com o que falamos e, principalmente, com o que não se aceitamos reproduzir.



