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Perda de olfato pode ser sinal inicial de Alzheimer, apontam estudos

Alterações no olfato costumam ser tratadas como algo sem importância, geralmente atribuídas a gripe, alergias ou à Covid-19. Mas evidências científicas acumuladas nas últimas décadas mostram que, em alguns casos, essa mudança pode ser um dos primeiros sinais de doenças neurológicas, incluindo o Alzheimer.

O alerta, segundo o médico neurocirurgião José Carlos Rodrigues Junior, é saber diferenciar o que tende a passar do que exige avaliação. “Reconhecer quando a perda do olfato é um achado benigno e quando merece investigação médica é fundamental para o diagnóstico precoce, o acompanhamento adequado e a preservação da qualidade de vida”, afirma.

Por que o olfato pode dar pistas sobre o cérebro

A explicação está na forma como o olfato se conecta ao sistema nervoso. “O sistema olfatório possui uma característica singular entre os sentidos: suas vias estão diretamente conectadas a regiões cerebrais envolvidas com a memória, emoção e comportamento”, descreve o médico, citando estruturas como o bulbo olfatório, o sistema límbico e o córtex entorrinal.

Essas áreas estão entre as primeiras a sofrer alterações no processo neurodegenerativo do Alzheimer. Por isso, estudos apontam que dificuldades para identificar e reconhecer odores podem aparecer antes dos sintomas clássicos. “Déficits na identificação, discriminação e reconhecimento de odores podem surgir anos antes dos sintomas cognitivos clássicos, funcionando como um marcador funcional precoce”, explica.

Pesquisas também indicam que testes simples de identificação de cheiros, combinados com avaliações rápidas de cognição, podem ajudar a mapear quem tem maior risco de declínio cognitivo, ampliando a triagem em consultórios e na atenção primária.

Foto: Freepik.

Nem sempre é Covid: causas comuns para perder o olfato

Apesar da popularização do tema após a pandemia, a maioria das alterações do olfato tem causas não neurológicas. Entre as mais frequentes, o médico cita:

  • · Rinite alérgica
  • · Rinossinusite crônica
  • · Infecções virais diversas
  • · Tabagismo
  • · Uso de determinados medicamentos
  • · Exposição a substâncias irritantes
  • · Traumatismos cranianos

Nesses quadros, é comum haver sintomas nasais ou respiratórios e melhora com tratamento direcionado. O ponto central, segundo o especialista, é evitar tanto o alarmismo quanto a demora em investigar quando o caso foge do esperado.

Quando a mudança no olfato deve acender o alerta

O sinal de atenção aumenta quando a alteração do olfato é progressiva, persistente e não se explica por problemas nasais claros. O risco também cresce quando o sintoma aparece após os 60 anos ou vem acompanhado de queixas como lapsos de memória, dificuldade de concentração ou mudanças de comportamento.

Nessas situações, a recomendação é olhar o sintoma dentro de um quadro maior. “A alteração olfatória deve ser interpretada como parte de um quadro clínico mais amplo, e não como um achado isolado”, diz o médico.

Em geral, a investigação começa com avaliação otorrinolaringológica para descartar causas inflamatórias ou estruturais. Se não houver explicação local, ou se houver sinais associados, o caminho segue com avaliação neurológica e neuropsicológica.

O médico ressalta que a compreensão atual do Alzheimer vem mudando, com um foco crescente em sinais que aparecem muito antes do comprometimento evidente. “O conceito contemporâneo de diagnóstico da doença de Alzheimer tem evoluído para um modelo baseado em biomarcadores, reconhecendo que o processo patológico se inicia muito antes da manifestação clínica evidente”, afirma.

Para além do diagnóstico, a perda do olfato também impacta o dia a dia: reduz o prazer alimentar e social e pode comprometer a segurança ao dificultar a percepção de fumaça, vazamento de gás e alimentos estragados. Em alguns contextos, porém, pode ser mais do que um incômodo. “Em determinados contextos, pode representar um sinal silencioso de que o cérebro está em processo de mudança”, conclui.

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