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A música brasileira nos filmes de Anna Muylaert

A diretora, produtora e roteirista paulistana Anna Muylaert é uma das mais importantes profissionais de cinema e televisão no nosso país, uma premiada dentro e fora do Brasil.

Compõe a sua obra filmes como “Que Horas Ela Volta?” (2015); “Chamada a Cobrar” (2012); “É Proibido Fumar” (2009)e“Durval Discos” (2002) e programas de TV como “Mundo da Lua” e “Castelo Rá-tim-bum”.

Mas algo que chama muita atenção no trabalho precioso da diretora é como ela usa a música popular brasileira para contar as suas histórias, quase como se a MPB fosse uma personagem com vida própria em alguns de seus filmes.

Hoje, vamos conhecer mais sobre a relação de Anna Muylaert com a música brasileira.

Sobre Anna Muylaert 

Anna Muylaert estudou cinema na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e começou a trabalhar como cineasta na década de 1980, quando realizou alguns curtas-metragens e publicou críticas de cinema em revistas e jornais. 

Em 1988, ela escreveu o roteiro e dirigiu o curta “Rock Paulista”. No ano seguinte, integrou o grupo de criação de programas infantis na TV Cultura.

Nos anos 90, trabalhou como roteirista nos programas infantis “Mundo da Lua” e “Castelo Rá-tim-bum” e,em 1997, criou – ao lado do diretor paulistano Cao Hamburger – o “Disney CRUJ”, no SBT. 

Em 2002, dirigiu o seu primeiro longa premiado e um dos mais importantes de sua carreira: “Durval Discos:”. Em 2006, criou – ao lado de Cao – e roteirizou a série “Um Menino muito Maluquinho”, pela TVE Brasil, baseada na obra do cartunista Ziraldo.

Em 2005, Anna Muylaert foi co-roteirista da série “Filhos do Carnaval”, da HBO, e fez o último tratamento do roteiro do filme “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, ambos dirigidos por Cao Hamburger.

Em 2007, colaborou nos roteiros da série Alice, da HBO, com direção de Karim Ainouz, e também escreveu o roteiro do filme “Quanto Dura o Amor?”, em parceria com Roberto Moreira.

Em 2009 foi a vez do filme “É Proibido Fumar” (2009), sobre o qual vamos saber mais detalhes a seguir.

Em seguida, vieram os longas “Chamada a Cobrar” (2012) e o premiadíssimo “Que Horas Ela Volta?” (2015). Com o filme, protagonizado por Regina Casé, Camila Márdila e Karine Teles,  a diretora ganhou o troféu Grande Otelo no 15º Prêmio do Cinema Brasileiro. 

Ao todo “Que Horas Ela Volta?”  – que aborda as complexas desigualdades da sociedade brasileira, ao retratar a vida da empregada doméstica Val – ganhou sete estatuetas, entre elas a de melhor longa-metragem de ficção. Além disso, o filme foi premiado também fora do Brasil.

Em 2015, Muylaert também ganhou o prêmio “Faz Diferença”, na categoria “Cinema“, da Globo e Firjan.

Em 2016, ela dirigiu “Mãe Só Há Uma”, que venceu o prêmio de melhor filme pelo júri de leitores da revista alemã Männer. E, em 2020, publicou o livro “Quando o sangue sobe à cabeça”, com seis contos, todos protagonizados por personagens mulheres.

Em 2021, Anna dirigiu e roteirizou o documentário “Alvorada“, ao lado de Lô Politi, que acompanha o dia-a-dia da presidente Dilma Rousseff durante seu processo de impeachment. O documentário foi indicado no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em quatro categorias: entre elas, Melhor Direção eMelhor Roteiro Original.

Em 2022, foi a vez de dirigir o longa “O Clube das Mulheres de Negócios”, que  trata da crise do patriarcado, em um mundo imaginário onde os estereótipos de gênero são invertidos. 

Seu mais recente longa é de 2025: “A Melhor Mãe do Mundo”, com roteiro assinado pela própria diretora, em colaboração com Grace Passô e Mariana Jaspe.

Hoje, vamos nos aprofundar em dois filmes dirigidos por Anna Muylaert, que trazem a música popular brasileira como protagonista:“Durval Discos” e “É Proibido Fumar”.

Durval Discos

Durval Discos é um filme de 2002, que traz Anna Muylaert em sua estreia como diretora. A história gira em torno de Durval, que em plena era do CD insiste em continuar vendendo discos de vinil (ironias do destino, hoje, o vinil virou item luxuoso!).

O longa tem como inspiração as antigas lojas de vinil do bairro de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, e é notável por sua trilha sonora composta pela música brasileira dos anos 1970, que reflete o gosto do protagonista, um hippie de meia idade, vivido pelo ator Ary França.

Além disso, o longa conta com a trilha sonora original de André Abujamra (que também faz uma participação no filme), mais presente na segunda metade da obra, um pouco mais tensa e sombria.

A mudança de tom da primeira parte para a segunda foi anunciada como os lados A e B da vida, como em um LP. O filme ganhou vários prêmios nos Festivais de Gramado e Torino, além do Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro de Melhor Trilha Sonora.

Entre os sucessos da MPB presentes no filme, estão:

Que Maravilha – Jorge Ben Jor 

(Jorge Ben Jor e Toquinho)

Maracatu Atômico – Gilberto Gil

(Jorge Mautner e Nelson Jacobina)

Madalena – Elis Regina

(Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)

Irene – Caetano Veloso

(Caetano Veloso)

Ovelha Negra – Rita Lee

(Rita Lee)

Back In Bahia – Gilberto Gil

(Gilberto Gil)

Besta É Tu – Novos Baianos

(Moraes Moreira, Luiz Galvão e Pepeu Gomes)

Xica da Silva – Jorge Ben Jor

(Jorge Ben Jor)

London, London – Gal Costa

(Caetano Veloso)

Pérola Negra – Luiz Melodia

(Luiz Melodia)

Mestre Jonas – Sá, Rodrix e Guarabyra

(Sá, Rodrix e Guarabyra)

É Proibido Fumar

Em “É Proibido Fumar”, de 2009, a música também é protagonista. 

Anna Muylaert – que dirige e também é produtora do longa, junto com Sara Silveira – conta a história de um romance entre Baby – uma professora de violão, solitária e viciada em cigarros, interpretada por Glória Pires – e Max, um músico que ainda não superou seu relacionamento anterior e se muda para ao apartamento vizinho de Baby, interpretado por Paulo Miklos.

Para que o romance dê certo Baby está disposta a enfrentar qualquer ameaça, inclusive seu vício compulsivo por fumar.

A trilha sonora é marcada por várias canções de música popular brasileira como:

Taj Mahal – Jorge Ben Jor

Baby – Caetano Veloso

(Interpretada por Paulo Miklos)

Filhos de Gandhi – Gilberto Gil 

Canta Canta, Minha Gente – Martinho da Vila

(Interpretada por Paulo Miklos)

Take me Back to Piauí – Juca Chaves

Tatuagem – Chico Buarque & Ruy Guerra

(Interpretada por Glória Pires)

Que Nega é Essa – Jorge Ben Jor

O filme saiu-se como o grande vencedor do Festival de Brasília, arrematando estatuetas em oito categorias, incluindo Melhor Filme, Melhor Trilha Sonora (de Márcio Nigro) e Melhor Roteiro.

No Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, venceu cinco categorias, incluindo: Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha Sonora. Também ganhou dois prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, incluindo melhor atriz para Glória Pires e melhor direção para Anna Muylaert

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