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Centrais sindicais realizam ato contra juros altos nesta terça-feira (28) em frente ao Banco Central

A definição sobre a taxa de juros será feita pelo Copom nos próximos dias, e o resultado da reunião deverá orientar os rumos da economia brasileira no curto prazo.

A Central Única dos Trabalhadores e outras centrais sindicais promovem, nesta terça-feira (28), um ato contra os juros altos em frente à sede do Banco Central do Brasil, na Avenida Paulista, em São Paulo. A mobilização está prevista para começar às 10h e ocorre na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária, responsável por definir a taxa básica de juros do país.

O protesto tem como pano de fundo os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central, que apontam que 49,9% das famílias brasileiras estavam endividadas em fevereiro, enquanto o comprometimento da renda com dívidas chegou a 29,7%. Entre os principais fatores apontados está o uso do crédito rotativo do cartão, cujos juros atingem 428,3% ao ano.

Segundo as entidades organizadoras, a redução da taxa básica de juros (Selic) — atualmente em 14,75% ao ano — é considerada essencial para diminuir o endividamento e estimular a economia. As centrais defendem que os juros elevados impactam diretamente o poder de compra da população, especialmente das famílias de menor renda.

Dados do próprio Banco Central indicam que 73% dos endividados, o equivalente a 11,6 milhões de pessoas, possuem renda de até dois salários mínimos, evidenciando o impacto mais significativo nas camadas mais vulneráveis da população.

Além da mobilização, o cenário econômico também foi influenciado por decisão recente do Supremo Tribunal Federal, que determinou que o Conselho Monetário Nacional realize estudos para atualização anual do chamado “mínimo existencial” — parcela da renda que deve ser preservada para garantir a subsistência de pessoas endividadas.

A decisão também incluiu os empréstimos consignados entre as despesas consideradas na proteção desse valor durante processos de renegociação de dívidas. O mínimo existencial foi fixado em 25% do salário mínimo em 2021, sendo posteriormente atualizado para R$ 600 mensais.

O ato desta terça-feira ocorre em um momento de debate sobre política monetária no país, especialmente diante dos impactos dos juros elevados sobre o consumo e o acesso ao crédito. Para as centrais sindicais, a redução da Selic pode contribuir para melhorar as condições financeiras das famílias e reduzir os níveis de endividamento.

A definição sobre a taxa de juros será feita pelo Copom nos próximos dias, e o resultado da reunião deverá orientar os rumos da economia brasileira no curto prazo.

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