Rouquidão por mais de duas semanas pode ser alerta para problemas na laringe

Ficar rouco depois de uma gripe ou após falar por muitas horas é algo comum. Na maioria das vezes, o incômodo passa em poucos dias com repouso vocal e boa hidratação. O problema começa quando a voz não volta ao normal.

Segundo a médica otorrinolaringologista Luciana Miwa Nita Watanabe, “a rouquidão leve, que surge após uma infecção respiratória ou após um uso exagerado da voz, geralmente melhora espontaneamente com repouso vocal e boa hidratação em poucos dias”.

Já quando a alteração persiste, o cuidado precisa ser maior. A médica afirma que “quando essa alteração vocal persiste por duas semanas ou mais, é fundamental procurar avaliação médica especializada”. Além disso, ela chama atenção para situações em que a pessoa sente desconforto para falar ou cantar mesmo sem uma rouquidão evidente.

A disfonia, termo usado para alterações na voz, pode atingir cerca de um terço da população em algum momento da vida e tem causas variadas, que vão de irritações e infecções até doenças mais graves.

O que pode estar por trás da voz rouca

Para investigar a origem do sintoma, a médica explica que “o exame de videolaringoscopia, que pode ser realizado no próprio consultório médico, permite visualizar a laringe, que é o órgão onde estão as cordas vocais, e identificar a causa do problema”.

Ela reforça que “a rouquidão é apenas um sintoma – o que realmente importa é descobrir e tratar a doença que a causa”. Entre as possibilidades, estão desde lesões benignas, como nódulos vocais, “os famosos calos vocais”, e pólipos, até infecções por vírus, bactérias ou fungos, refluxo que irrita a garganta, paralisia de corda vocal e doenças neurológicas.

Em alguns casos, a rouquidão também pode ser o primeiro sinal de câncer de laringe. O texto da especialista destaca que a doença pode surgir de forma discreta, “apenas com rouquidão aparentemente simples”. A boa notícia é que, quando descoberta cedo, pode ter alta chance de cura: “diagnosticado precocemente, oferece taxa de cura superior a 90% sem sequelas graves”.

Quando não esperar para procurar ajuda

Nem sempre é preciso aguardar duas semanas para buscar avaliação. O alerta é para a presença de sintomas associados, como dor ao engolir, dificuldade para engolir alimentos, falta de ar, caroço no pescoço ou histórico de tabagismo. A recomendação é ter atenção redobrada em pessoas acima de 40 anos e em quem depende da voz profissionalmente.

Foto: Freepik.

Cuidados simples para proteger a voz

No dia a dia, medidas básicas podem ajudar a preservar as cordas vocais e evitar que problemas se tornem crônicos. A médica orienta:

  • · Não use medicamentos sem indicação médica. Mesmo produtos considerados “naturais” podem prejudicar a voz e atrasar o diagnóstico.
  • · Evite uso excessivo da voz e não grite quando estiver gripado ou já rouco, pois isso pode piorar a inflamação.
  • · Não fume e não inale substâncias que não sejam medicamentos prescritos, já que tudo o que é inalado passa pelas cordas vocais e pode prejudicá-las.
  • · Tome bastante água, ao menos 2 litros por dia.
  • · Mantenha alimentação e hábitos saudáveis.

Ao perceber mudanças persistentes na voz, a orientação é não ignorar o sinal. Como resume a especialista, é importante “prestar atenção aos sinais e saber ouvir o corpo”.

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