A investigação da Polícia Federal sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos em Cabedelo ganhou novos desdobramentos após o depoimento de Ariadna Thalia, apontada como integrante do núcleo de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho na Paraíba. Presa em dezembro do ano passado, ela afirmou à polícia que o ex-prefeito Vitor Hugo teria mantido um acordo com o traficante Flávio de Lima Monteiro, o Fatoka, para garantir a continuidade do esquema investigado dentro da Prefeitura de Cabedelo.
Segundo Ariadna, o acordo previa a manutenção de pessoas ligadas à facção em contratos terceirizados do município. Ela relatou que, após uma operação da PF realizada em 2024, funcionários ligados ao grupo criminoso foram demitidos, mas que Vitor Hugo teria informado que o esquema seria retomado gradualmente quando “uma pessoa dele” assumisse a prefeitura.
As declarações foram prestadas à Polícia Federal e ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) e serviram como um dos elementos considerados pela Justiça da Paraíba para autorizar o afastamento do então prefeito interino Edvaldo Neto, além de mandados de busca e apreensão cumpridos durante a operação realizada no mês passado.
De acordo com a investigação, empresas terceirizadas contratadas pela Prefeitura de Cabedelo seriam utilizadas para empregar indicados da facção criminosa. Parte do dinheiro público destinado aos salários desses funcionários retornaria aos líderes do grupo e a agentes públicos em forma de propina e pagamentos paralelos. A PF estima que o esquema tenha movimentado mais de R$ 270 milhões.
Ariadna também afirmou que a facção exercia influência política em áreas dominadas pelo grupo em Cabedelo, controlando a entrada de candidatos e campanhas eleitorais em comunidades da cidade. Segundo ela, o apoio territorial fazia parte da relação entre integrantes da organização criminosa e agentes políticos investigados.
Os citados negam as acusações. Em nota, Vitor Hugo afirmou que não conhece Ariadna nem Fatoka e repudiou qualquer ligação com organizações criminosas. Edvaldo Neto declarou que jamais manteve relação com facções, enquanto André Coutinho disse que nunca participou de acordos ilegais. Já a empresa Lemon, também citada na investigação, negou irregularidades nos contratos e pagamentos.



