Por que as empresas estão olhando para a maternidade de um jeito completamente diferente

Mais da metade das mães brasileiras sustenta a própria casa. Algumas dividem essa responsabilidade, outras carregam sozinhas, mas o dado é esse: segundo o IBGE, mais de 60% das mães no Brasil são provedoras principais ou co-provedoras do lar. E ainda assim, durante décadas, o mercado de trabalho tratou a maternidade como um problema pessoal da mulher, algo que ela precisava resolver antes de chegar na reunião das nove.

O resultado disso apareceu de um jeito que ninguém planejou: na última década, o empreendedorismo feminino cresceu de forma expressiva no Brasil, e a maternidade figura como o principal motivo que leva uma mulher a abrir o próprio negócio, não o sonho de ter uma empresa, não uma oportunidade de mercado, mas a necessidade de continuar trabalhando de um jeito que coubesse na vida que ela estava vivendo. Foi aí que o CNPJ virou a saída para quem o mercado formal não conseguia acolher.

A maternidade transforma, muda a forma como alguém gerencia tempo, toma decisões sob pressão, negocia prioridades e sustenta relacionamentos complexos. Quem atravessa essa experiência sai com um repertório que nenhuma certificação entrega, e as empresas que ainda enxergam a licença maternidade como uma pausa no desenvolvimento de uma profissional estão lendo o mapa ao contrário.

E aqui entra uma parte importante da conversa: os homens. Cada vez mais pais querem e precisam estar presentes de verdade, não como coadjuvantes da rotina dos filhos e nem como “rede de apoio”, mas sim como parte ativa dela. E quando a empresa adapta suas políticas apenas para as mães, ela resolve metade do problema e ignora uma transformação que também está acontecendo com eles. Muito além da licença paternidade estendida, o novo pacto profissional precisa reconhecer que a vida pessoal e a carreira nunca foram compartimentos separados, e que fingir que eram custou caro para todo mundo.

Flexibilidade, nesse contexto, não é benefício. É o mínimo para não perder as pessoas certas e as empresas que entenderam isso primeiro estão construindo algo que as outras ainda vão correr para alcançar.

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