Suspeita de Ebola mobiliza autoridades de saúde em São Paulo

Paciente com histórico de viagem internacional está sob monitoramento, e exames laboratoriais devem confirmar ou descartar a doença nos próximos dias.

Foto: Pablo Jacob/Governo de SP

As autoridades de saúde de São Paulo investigam um novo caso suspeito de ebola envolvendo uma brasileira de 31 anos que retornou recentemente da República Democrática do Congo, país que enfrenta um surto da doença considerado de relevância internacional.

De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde, a paciente esteve a trabalho na província de Kivu do Norte, região localizada no leste do país africano. Após desembarcar no Brasil no último dia 6 de junho, ela passou a apresentar sintomas como febre e diarreia na terça-feira (9), buscando atendimento em uma unidade particular de saúde.

Diante da suspeita, a mulher foi transferida na madrugada desta quarta-feira (10) para o Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, referência nacional no atendimento de casos suspeitos ou confirmados de doenças infecciosas de alta complexidade.

Segundo o acompanhamento médico, a paciente apresenta quadro clínico estável e permanece internada em isolamento, seguindo rigorosamente os protocolos de biossegurança adotados para situações dessa natureza. Um teste rápido para malária foi realizado e apresentou resultado negativo.

Até o momento, não há confirmação da infecção pelo vírus ebola. As amostras coletadas estão sendo analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz, responsável pelos exames laboratoriais que irão determinar o diagnóstico.

Segundo caso investigado no estado

Esta é a segunda ocorrência suspeita de ebola registrada em São Paulo neste ano. O primeiro caso envolveu um homem de 37 anos que também havia chegado da República Democrática do Congo.

Após investigação epidemiológica e exames específicos, a suspeita de ebola foi descartada. Os testes identificaram a presença da bactéria causadora da meningite meningocócica. O paciente continua internado e apresenta evolução positiva, segundo informações das equipes médicas.

O que é o ebola?

O ebola é uma doença infecciosa grave causada por um vírus altamente agressivo, capaz de provocar febre intensa, dores musculares, fadiga, diarreia, vômitos e, em casos mais severos, hemorragias internas e externas.

A transmissão ocorre por meio do contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas que já apresentem sintomas da doença. Diferentemente de algumas infecções respiratórias, o vírus não é transmitido pelo ar.

Especialistas alertam que a enfermidade possui elevada taxa de mortalidade. No atual surto registrado na República Democrática do Congo, os índices de letalidade variam entre 55% e 60%.

Histórico da doença

O vírus foi identificado pela primeira vez em 1976, próximo ao rio Ebola, localizado na atual República Democrática do Congo. Desde então, diferentes surtos foram registrados em países africanos, levando organizações internacionais de saúde a manterem monitoramento constante da doença.

Apesar das investigações realizadas ao longo dos anos, o Brasil nunca registrou um caso confirmado de ebola. O sistema nacional de vigilância epidemiológica mantém protocolos específicos para identificação rápida de casos suspeitos, especialmente em viajantes provenientes de regiões com circulação ativa do vírus.

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