São João de Campina Grande treina equipes para agir contra o racismo na festa

Seguranças, promotores e outros profissionais participaram de formação sobre igualdade racial

Yasmim Pessoa
Yasmim Pessoa
Jornalista formada há quase 10 anos pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com trajetória em jornalismo político, hard news e mídias digitais. Curiosa e atenta aos movimentos do cotidiano, acredita na rebeldia da comunicação como força para contar histórias, informar com responsabilidade e dar visibilidade a diferentes vozes.
Foto: Divulgação/Rondinelle de Paula

Trabalhadores do São João de Campina Grande participaram de uma ação inédita de capacitação voltada à prevenção e ao combate ao racismo, além da promoção da igualdade racial. A iniciativa envolveu diferentes profissionais que atuam na festa, como seguranças, controladores de acesso e promotores.

A atividade teve como uma das referências um boletim do Ministério do Turismo sobre afroturismo, que reúne dados e análises sobre o segmento no Brasil, incluindo o crescimento de negócios, o perfil dos empreendedores e a demanda por experiências ligadas à cultura afro-brasileira.

Durante a formação, os participantes passaram por uma oficina de letramento racial que abordou temas como diversidade cultural na festa, racismo estrutural e estratégias de enfrentamento a situações de preconceito e discriminação. Também foram discutidos casos práticos do cotidiano de grandes eventos, com foco na prevenção de violações de direitos e na construção de ambientes mais inclusivos.

Como parte das ações de conscientização, cartazes com orientações e informações sobre o crime de racismo foram instalados no Parque do Povo, espaço que recebe o evento.

A oficina foi conduzida pela jornalista, professora e pesquisadora de relações étnico-raciais Carla Borba e promovida pela Arte Produções, responsável pela organização do evento. Segundo a organização, a proposta incluiu momentos de diálogo e troca de experiências entre os participantes, com o objetivo de qualificar o atendimento ao público e ampliar a preparação das equipes para lidar com situações de discriminação. Os participantes tiveram acesso a reflexões sobre diferentes formas de preconceito e discriminação, além da análise de estudos de caso que contribuíram para a compreensão de situações vivenciadas no cotidiano e para a construção de ambientes mais seguros e acolhedores.

Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, a medida é um exemplo de responsabilidade social e ajuda a promover um ambiente cada vez mais inclusivo, respeitoso e acolhedor. “O São João de Campina Grande tem essa característica social, e o combate ao racismo é fundamental, assim como a outras formas de preconceito e discriminação. No maior São João do Mundo, queremos a felicidade das pessoas”, afirmou.

Afroturismo em expansão no Brasil

Dados do 13º Boletim de Inteligência do Ministério do Turismo indicam crescimento do segmento de afroturismo no país. Conforme o levantamento, 41% dos negócios voltados a esse nicho foram criados nos últimos três anos.

O estudo aponta ainda que mulheres negras representam 66,4% dos empreendimentos do setor. Em relação à formação, mais de 40% dos empreendedores possuem ensino superior e 36% têm pós-graduação.

O boletim também indica alta demanda por esse tipo de experiência: 82% das pessoas negras entrevistadas afirmaram preferir serviços turísticos conduzidos por empreendedores negros, enquanto 91% demonstraram interesse em atividades ligadas à cultura afro-brasileira. O levantamento registra ainda aumento de 30% nas buscas globais por experiências afrocentradas entre 2024 e 2025.

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