O inverno está chegando: entenda El Niño e veja cuidados com a saúde para o período

Giovanna Laranjo
Giovanna Laranjo
Formada em Jornalismo pela PUC-Campinas, atua na produção de conteúdo para mídias digitais, com experiência em televisão e apresentação. Voluntária na Copa do Mundo FIFA Qatar 2022, apaixonada por esportes, música e literatura.
Agência Brasil

O inverno no hemisfério sul começa neste domingo (21), especificamente às 5h24 da manhã, de acordo com do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), e vai até o dia 22 de setembro.

Segundo com o órgão, tradicionalmente, a estação é característica por períodos menos chuvosos nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Já no noroeste da Região Norte, leste da Região Nordeste e parte da Região Sul do país as chuvas são mais intensas.

A diminuição das chuvas em grande parte do território nacional está associada à persistência de massas de ar seco, que reduzem a umidade relativa do ar e dificultam a ocorrência de precipitação.

Essas condições favorecem a ocorrência e a propagação de queimadas e incêndios florestais, além de contribuírem para o agravamento de doenças respiratórias e outros impactos à saúde da população.

No período é comum ter uma menor incidência de radiação solar, além de incursões de massas de ar frio, vindas do sul do continente, que provocam a queda na temperatura do ar.

O Inmet afirma que a tendência para o lesto do Sul e o Sudeste são médias inferiores a 22 ºC, podendo ocasionar:

  • Formação de geadas nas regiões Sul, Sudeste e em Mato Grosso do Sul;
  • Queda de neve nas áreas serranas e planaltos da Região Sul;
  • Episódios de friagem, caracterizados pela entrada de massas de ar frio que podem atingir os estados do Mato Grosso, Rondônia, Acre e sul do Amazonas.

O instituto ainda informa que durante a estação, devido as inversões térmicas no período da manhã, nevoeiros e/ou névoa úmida nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste são comuns, reduzindo a visibilidade, principalmente em estradas e aeroportos.

El Niño

O inverno de 2026 chega sob o efeito do fenômeno climático El Niño, quando acontece o aquecimento anormal da região equatorial do Oceano Pacífico. A elevação da temperatura do mar 0,5 ºC acima da média já caracteriza a condição.

Com esse fenômeno, a estação pode chegar com algumas mudanças este ano, como análise a empresa de consultoria em meteorologia Nottus.

No Brasil, a temporada será marcada pela concentração de chuva além no normal na Região Sul, enquanto as precipitações ficam mais curtas e menos intensas no Norte e Nordeste, favorecendo a chance de secas.

De acordo com o sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, o inverno deve começar com temperaturas mais baixas, mas, “os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano, principalmente de agosto em diante”.

Isso acontece porque a combinação de períodos mais secos e ventos do Norte favorece a elevação gradual das temperaturas, especialmente na segunda metade do inverno. Com isso, pode-se ter a percepção de um inverno mais ameno.

Isso não quer dizer que não haverá frio na estação, o meteorologista afirma que os momentos de frio serão mais curtos e rápidos.

Nascimento aponta também que algumas áreas da região central do país devem ter a presença dos veranicos, como são chamados os períodos de tempo seco e temperaturas atipicamente elevadas, que ocorrem no meio do outono ou inverno.

Ao destacar as principais características climatológicas dos próximos meses, o estudo mostra que julho deve ser marcado pelo volume de chuva acima da média entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste. No Sul, a chuva ganha força a partir das áreas do interior.

Agosto deve ter maiores concentrações de chuva no extremo norte do país, além da faixa leste do Nordeste e Região Sul, onde os volumes podem superar a média histórica. Entre Minas Gerais, Goiás e no interior do Nordeste, aos poucos se estabelece o período seco, típico desta época do ano.

Para setembro, o destaque fica para a chuva ganhando força no Sul, superando a média climatológica, enquanto o Nordeste terá precipitação abaixo da média ao longo das faixas leste e norte.

Mesmo com a previsão de chuva acima da média na Região Sul, o meteorologista da Nottus não identifica, por ora, a chance de temporais como os que devastaram o Rio Grande do Sul em maio e abril de 2024. 

Existe uma grande chance, com base em informações da Noaa (Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera) que, a partir de setembro até fevereiro de 2027, de o El Niño ser muito forte, quando a elevação da temperatura da água supera 2,5 C°.

Preocupado com impactos do que está sendo chamado de “Super El Niño”, o governo federal criou uma Sala de Situação Interministerial para preparar respostas e gerenciar possíveis desastres.

Cuidados no inverno

Com tantas mudanças climáticas preocupações com a saúde podem surgir. A médica da família, especializada em endocrinologia, Mayara Mota, da dicas de como se cuidar nesse inverno.

“Acho que o principal cuidado que a gente recomenda hoje em dia, que é uma recomendação que a gente tem falado muito para as crianças, é a questão de lavar as narinas, se hidratar e deixar também as narinas hidratadas para que não tenha o acúmulo de micro-organismos que vão dar aí os sintomas respiratórios. Além disso, cuidar da imunidade, não deixar de se alimentar bem, praticar atividade física também como uma forma de proteção aí da sua imunidade.”, orienta a médica.

Mayara afirma ainda que cabelos molhas, andar descalço ou usar poucas blusas não são causadores diretos de doenças respiratórias nessa época do ano, mas o choque térmico faz com que o corpo tenha que trabalhar de forma mais intensa para ficar em um temperatura adequada.

“Então quando ele [o corpo] faz esse trabalho mais intenso, a sua imunidade já não tá muito boa, então realmente a recomendação de da mãe de tem que usar o casaco, tem que se proteger, realmente faz sentido”, diz.

A médica orienta alguns hábitos que podem ajudar a manter a imunidade alta e evitar as doenças respiratórias:

“Praticar exercício físico, cuidar da nossa saúde como um todo, a lavagem nasal, também é uma forma de prevenir, evitar de ficar em ambientes muito confinados e se você tiver algum sintoma, de resfriado, por favor, utilize máscara para se proteger. A questão de higienizar as mãos é muito importante também e a vacinação”.

Em casos de dores no peito, falta de ar, uma febre muito alta, vômitos, alguma forma de confusão mental, Mayara indica procuraram um atendimento médico especializado.

“Nessa época de Copa do Mundo, o excesso de bebida alcoólica pode comprometer a imunidade. O excesso de bebida alcoólica e o não cuidado da sua saúde pode comprometer e quando vier um vírus fica muito mais fácil de ficar doente”, alerta também a médica.

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