O número de lesões no joelho entre praticantes de esporte amador tem crescido na esteira da popularização de atividades como corrida de rua, crossfit, futebol recreativo e treinos de alta intensidade. A explicação, em muitos casos, não está no esporte em si, mas na forma como ele é praticado.
O médico Bruno Butturi Varone, especialista em cirurgia do joelho e medicina do esporte, afirma que tem sido cada vez mais comum ver atletas amadores com lesões que antes apareciam com mais frequência em quem vive do alto rendimento. A combinação de entusiasmo, carga elevada e pouca preparação física tem pesado, literalmente, sobre a articulação.
Apesar do alerta, a prática de atividade física segue sendo um dos pilares da prevenção de doenças cardiovasculares, metabólicas e também de problemas musculoesqueléticos. O desafio é colher os benefícios do exercício sem transformar o treino em risco.
Por que o joelho vira o alvo mais comum
Modalidades com impacto repetitivo, saltos, mudanças rápidas de direção e movimentos de torção exigem muito das articulações. Nesse cenário, o joelho tende a sofrer mais por ser uma estrutura complexa, responsável por suportar grande parte do peso corporal e absorver impacto constante.
Segundo Varone, um dos erros mais frequentes é iniciar atividades intensas sem uma base de fortalecimento e sem aumento gradual de carga. “A combinação de treino intenso, técnica inadequada e recuperação insuficiente aumenta significativamente o risco de lesões”, alerta o médico.
Outro ponto recorrente é tentar “compensar” anos de sedentarismo com treinos fortes em pouco tempo. O resultado costuma ser a sobrecarga de estruturas que ainda não estão prontas para a exigência do novo ritmo.

Quais são as lesões mais comuns
Entre os problemas mais vistos em consultórios e centros de reabilitação estão:
- Ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), geralmente ligada a torções e mudanças bruscas de direção;
- Lesões de menisco, que podem acontecer por trauma ou por desgaste progressivo associado à sobrecarga;
- Danos à cartilagem articular, com impacto potencialmente maior por ser um tecido com capacidade limitada de regeneração.
O especialista explica que essas estruturas são essenciais para a estabilidade e o funcionamento do joelho. Quando se lesionam, não é raro que a pessoa perceba dor, instabilidade ou perda de confiança para correr, agachar ou mudar de direção.
O risco de voltar antes da hora
Além do excesso de intensidade, um comportamento tem contribuído para a repetição e o agravamento das lesões: o retorno precoce ao esporte. Muitos praticantes interrompem a reabilitação assim que a dor diminui, sem completar o processo necessário para recuperar força, estabilidade e controle dos movimentos.
Varone destaca que a reabilitação não é um detalhe do tratamento. “Respeitar o tempo de recuperação não é sinal de fraqueza, mas parte fundamental do tratamento”, afirma.
Para reduzir o risco de novas lesões, o caminho passa por orientação adequada, progressão de carga, técnica bem executada, descanso e atenção aos sinais do corpo. A meta do esporte, reforça o médico, deve ser promover saúde — e não abrir espaço para problemas que poderiam ser evitados.

