A cesta básica em Ribeirão Preto teve novo aumento e está mais cara em todas as regiões da cidade, segundo estudo da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp).
O Índice Mensal de Inflação dos Alimentos, compilado pelo pelo Instituto de Economia Maurílio Biagi (IEMB-Acirp), é feito presencialmente em 11 hipermercados e 5 padarias distribuídos pelas seis regiões da cidade.
Em junho, a coleta foi feita nos dias 15 e 16 e mostrou que o kit básico de alimentos custou, em média, R$ 861,25 este mês para o consumidor. O resultado evidencia alta de 2,88% em relação a maio.
Variação regional
A análise por regiões aponta diferenças relevantes nos preços praticados no município, sendo que todas as áreas levantadas tiveram aumentos no preço médio em junho. A região Central, além de apresentar o maior custo médio da cesta (R$ 916,91), teve variação de 2,87% no mês.
A Oeste manteve o menor valor médio (R$ 796,06) e apresentou variação de 3,40%. Nas demais regiões, o valor médio foi de R$ 847,38 na Norte (3,21%), R$ 891,50 na Leste (4,52%) e R$ 878,95 na Sul (1,81%), reforçando a heterogeneidade espacial dos preços dos alimentos em Ribeirão Preto.
A análise do IEMB-Acirp aponta que, em junho, de modo geral, a elevação no custo da cesta básica teve ritmo mais moderado que nos dois meses anteriores, concentrando-se principalmente em itens de hortifruti. O movimento indica continuidade da redução do poder de compra no período, mantendo a alimentação como componente central do custo de vida das famílias.
Puxaram a alta
No período, os principais destaques de variação de alta de preços observados no mês foram da batata inglesa (17,42%), do tomate italiano (9,14%) e da banana nanica (8,03%).
A batata seguiu em alta diante da menor oferta, em um contexto de entressafra, produtividade abaixo do ideal e redução da área cultivada, fatores que podem limitar o recuo dos preços mesmo com o avanço da safra das secas. A queda das temperaturas também influenciou parte dos itens de hortifruti: no caso do tomate, o frio atrasou a maturação dos frutos, em meio à menor produtividade e à oferta mais restrita no mercado; já a banana nanica teve a disponibilidade limitada e o calibre reduzido em importantes regiões produtoras.
Alívio no bolso
Em sentido oposto, destacaram-se as quedas nos preços do arroz branco (6,86%) e da carne alcatra (1,72%), que contribuíram para atenuar parcialmente o avanço do custo total da cesta no mês.
Pesos no orçamento
Mesmo com a queda, as carnes permaneceram como o principal componente do orçamento alimentar, respondendo por 41,87% do dispêndio total da cesta. Em seguida, destacaram-se frutas e legumes (28,77%), farináceos (16,80%), laticínios (5,95%), leguminosas (4,26%), cereais (1,60%) e óleos (0,74%).
Poder de compra
No que se refere ao poder de compra, considerando o salário-mínimo bruto vigente de R$ 1.621,00 e o desconto de 7,50% referente à Previdência Social, o salário-mínimo líquido foi estimado em R$ 1.499,43. Nessas condições, um trabalhador de média idade comprometeu cerca de 57,44% da renda mensal apenas com gastos alimentares em junho. Para adquirir a cesta básica, foram necessárias aproximadamente 126,36 horas de trabalho, o que representa acréscimo de 3,54 horas em relação a maio, indicando nova redução do poder de compra no período.
Metodologia
A mensuração da cesta básica tem como referência as quantidades definidas no Decreto Lei nº 399/1938, sem alteração dos itens ou das quantidades ao longo da série histórica. A composição dos grupos alimentares observa também as diretrizes do Decreto nº 11.936, de 5 de março de 2024, e dialoga com os padrões de consumo alimentar identificados na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF/IBGE), exclusivamente para fins de enquadramento conceitual.
Sobre o Instituto
O IEMB-Acirp foi criado em 1954, no aniversário de 50 anos da associação, com objetivo de reunir e divulgar estatísticas do município e da região.


