O que começou como uma ideia entre uma técnica de natação e um atleta se transformou em uma das maiores aventuras em águas abertas do litoral brasileiro. Oito nadadores encararam o desafio de cruzar o mar entre Ilhabela, no litoral de São Paulo, e Ilha Grande, no Rio de Janeiro, em uma travessia de 114 quilômetros e 400 metros concluída após 32 horas e 50 minutos de revezamento.
A expedição, idealizada pela técnica Martha Izo e pelo atleta e advogado Tiago Colombo, nasceu do desejo de realizar um grande desafio entre os dois estados, mas ganhou um novo formato ao conectar duas das principais ilhas do Sudeste brasileiro.
“Ele estava querendo um desafio e eu contei para ele de uma vontade que eu tinha de fazer Rio até São Paulo ou São Paulo-Rio. Em conjunto, pensamos: por que não entre ilhas? Sair de uma ilha e levar para outra, Ilhabela e Ilha Grande ou Ilha Grande e Ilhabela”, contou a técnica.
O planejamento da expedição envolveu meses de preparação, pesquisas sobre as condições do mar, análise de marés, ventos e conversas com especialistas da região.
“Foi bastante planejamento, bastante pesquisa. A gente consultou muitas pessoas que entendem daquela região de mar, de maré, de vento, tudo que relaciona esse desafio. Foi um planejamento muito grande e que deu certo”, afirmou Martha.
Para enfrentar mais de 100 quilômetros no oceano, a equipe optou por um sistema de revezamento entre os oito atletas. A ideia inicial era realizar trocas a cada uma hora, mas uma mudança estratégica fez com que os nadadores entrassem na água em períodos de 30 minutos.
Segundo Martha, a alteração ajudou a manter o ritmo da equipe durante toda a travessia.
“A gente acabou escolhendo a estratégia de a cada meia hora trocar, porque assim não ficaríamos tanto tempo nadando sozinhos e conseguiríamos manter o nosso ritmo”, explicou.
Com esse formato, cada atleta nadava por meia hora e tinha aproximadamente três horas e meia de descanso antes de voltar ao mar.
A escolha dos participantes também teve um critério além da experiência esportiva. Martha, que é técnica dos oito nadadores, destacou que a confiança entre os integrantes foi fundamental.
“Eu sabia do potencial de todos. Quatro já fizeram o Canal da Mancha, sete já nadaram o Leme ao Pontal, três deram a volta na Ilha Grande e todos têm grande experiência em águas abertas”, disse.
Apesar do currículo dos atletas, ela explica que a principal escolha foi baseada na conexão do grupo.
“A equipe não foi escolhida pelo currículo, foi escolhida pelo espírito de atividade. Eles treinam juntos, já são amigos e a gente sabia que ia fazer essa prova mais pelo outro do que por nós mesmos. No revezamento, você precisa confiar plenamente nas pessoas que estão com você.”
Durante a travessia, os atletas também tiveram encontros inesperados com a vida marinha. A presença de uma baleia-jubarte foi um dos momentos mais marcantes da expedição.
De acordo com Martha, a equipe já esperava a possibilidade de avistar baleias devido ao período de migração e reprodução da espécie, mas a proximidade do animal surpreendeu os nadadores.
“Foi ao mesmo tempo encantador e assustador, porque a jubarte é muito grande. A gente não esperava que ela fosse chegar perto”, relatou.
Segundo ela, o animal passou próximo de um dos atletas e chegou a aparecer durante a noite.
“Ela só soltou aquela borrifada da respiração e a gente viu o dorso dela. Ela subiu e desceu, e conseguimos ver com bastante tempo.”
Além da baleia, o grupo também registrou a presença de golfinhos durante o percurso. A técnica explicou que a equipe tinha protocolos de segurança para situações de risco.
“Se realmente aparecesse algo mais perigoso, como um tubarão, a gente tiraria o atleta da água”, afirmou.
Outro momento chamou atenção dos nadadores durante a noite. Em meio à escuridão causada pela lua nova, uma luz desconhecida teria acompanhado parte do percurso.
“Estava bem escuro, sem lua no céu, e apareceu uma luzinha muito estranha que começou a seguir a gente. A gente deu uma bela assustada, mas tudo bem. Nosso desafio teve baleias, golfinhos e até uma luz misteriosa que não sabemos o que era.”

