Epidemia invisível: Quedas e acidentes de moto disparam e Trauma de Campina Grande ultrapassa 65 mil atendimentos em 2026

Balanço do primeiro semestre aponta alta de 7,7% na demanda do hospital; quedas domésticas e urbanas lideram as estatísticas de urgência de forma isolada.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, Campina Grande - Foto: Reprodução

O Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, registrou uma marca alarmante nos primeiros seis meses de 2026. Ao todo, a unidade realizou 65.993 atendimentos, consolidando um aumento de 7,7% em comparação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 61.231 ocorrências. Os dados, obtidos através do boletim oficial do primeiro semestre, acendem um alerta vermelho sobre a saúde pública e o comportamento urbano na Paraíba.

O raio-X dos dados revela uma realidade impressionante: o hospital atendeu pacientes vindos de 364 municípios, ultrapassando o próprio número de cidades do estado da Paraíba (que possui 223). No período, foram realizadas 5.559 cirurgias e concedidas 5.908 altas hospitalares.

Ao contrário do que o senso comum sugere, de que hospitais de trauma são ocupados majoritariamente por vítimas de violência urbana ou acidentes automobilísticos, o principal motivo de entrada no Trauma de Campina Grande são as quedas.

Foram 11.201 registros de quedas no primeiro semestre de 2026. Esse número é:

  • Mais do que o dobro de todos os acidentes de motocicleta.
  • Cerca de 33 vezes maior do que o número de acidentes de carro (337 ocorrências).

Especialistas apontam que essa “epidemia silenciosa” costuma atingir duas pontas vulneráveis da fragilidade física: idosos em ambientes domésticos e trabalhadores da construção civil ou informais sem equipamentos de proteção adequados.

Se as quedas lideram isoladas, as motocicletas continuam sendo a principal causa de traumas graves provocados por veículos automotores. O hospital registrou 5.475 atendimentos decorrentes de acidentes de moto entre janeiro e junho.

Para se ter uma ideia do abismo estatístico entre os modais de transporte, o Trauma atendeu apenas 337 vítimas de acidentes de carro e 274 de acidentes de bicicleta. Ou seja, as motos geram 16 vezes mais vítimas que os carros na região geográfica coberta pelo hospital.

Raio-X dos Atendimentos por Sinistro (1º Semestre de 2026)

Tipo de OcorrênciaNúmero de Casos
Queda11.201
Acidente de Motocicleta5.475
AVC (Acidente Vascular Cerebral)852
Agressão Física521
Queimadura369
Acidente de Carro337
Acidente de Bicicleta274
Atropelamento205
Ferimento por Arma Branca115
Ferimento por Arma de Fogo62

A cidade sede do hospital lidera a lista de origens de pacientes. Campina Grande responde por 34.288 atendimentos. No entanto, cidades vizinhas da região metropolitana pressionam severamente o fluxo da unidade: Queimadas aparece em segundo lugar com 1.287 atendimentos, seguida de perto por Lagoa Seca, com 1.226.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS