Ao leite, branco, meio amargo ou intenso. Poucos alimentos despertam tanta paixão quanto o chocolate. Celebrado nesta segunda-feira (7), o Dia Mundial do Chocolate é uma oportunidade para conhecer o caminho percorrido até que o doce chegue às prateleiras. Em São José dos Campos, a fábrica de chocolates Liège produz o chocolate desde a matéria-prima e mostra que a fabricação envolve técnica, tempo e muito cuidado em cada etapa.
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Tudo começa com o nibs de cacau, pequenos pedaços da amêndoa torrada que chegam da Bahia. A partir deles é produzido o líquor de cacau, ingrediente que dá origem aos diferentes tipos de chocolate.
Segundo a chocolatier da Liège, Cíntia Serafim, quem experimenta o nibs pela primeira vez costuma se surpreender.
“Ele é muito amargo e tem uma acidez forte. É quando misturamos essa massa com açúcar, leite e outros ingredientes que nasce o chocolate que todo mundo conhece”, explicou.

Depois da mistura, a massa segue para um moinho de esferas, onde permanece entre 18 e 24 horas. A sala é mantida em baixa temperatura para que o chocolate não perca qualidade durante o processo.
“O chocolate precisa ficar batendo por muitas horas. A máquina gera calor e, por isso, o ambiente precisa estar climatizado para que ele não passe da temperatura ideal e não queime”, afirmou Cíntia.
O teor de cacau também é o responsável por definir o sabor de cada produto. Quanto maior a concentração da massa de cacau, mais intenso será o chocolate. Já o chocolate branco, alvo frequente de dúvidas entre os consumidores, também pode ser chamado de chocolate.
“A base dele é a manteiga de cacau. Quando fazemos o processamento da massa, de um lado sai a manteiga e do outro a massa de cacau. Por isso, ele é considerado chocolate”, destacou a especialista.
Outro produto que exige paciência são as drágeas. O recheio recebe diversas camadas de chocolate, passa por um período de secagem, ganha brilho e só depois segue para a embalagem. Todo o processo leva cerca de dois dias.
Veja um vídeo que mostra todo o processo:
Aumento no consumo
Além da fabricação, o chocolate continua ganhando espaço na mesa dos brasileiros. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), o consumo médio no país é de quase 4 quilos por pessoa ao ano. O setor movimentou R$ 42,5 bilhões em 2025, impulsionado pelo crescimento dos chocolates finos, pela inovação e pelo aumento da procura durante todo o ano, e não apenas na Páscoa.
Mesmo com esses números, a entidade avalia que o mercado ainda tem potencial de expansão. Enquanto o brasileiro consome cerca de 4 quilos de chocolate por ano, países da Europa e os Estados Unidos registram médias entre 9 e 10 quilos por habitante. Ainda assim, o produto já está presente em praticamente todos os municípios brasileiros, mantendo viva uma tradição iniciada há mais de três mil anos pelos povos maias e astecas e que, até hoje, conquista consumidores de todas as idades.
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