Doença renal crônica: entenda a condição que causou a morte de Benedito Ruy Barbosa

Condição que levou à morte do autor pode permanecer sem sintomas durante anos; entenda os riscos e como preveni-la.

Kaliane Vitoria
Kaliane Vitoria
Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é apaixonada por comunicação e pelo futebol. Atualmente, é estagiária no portal Th+ SBT, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos. Busca reunir informação, credibilidade e criatividade em todas as suas reportagens.
Benedito Ruy Barbosa. – Foto: Reprodução

A morA morte do dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, nesta terça-feira (7), aos 95 anos, voltou a chamar atenção para a doença renal crônica (DRC), condição caracterizada pela perda lenta e progressiva da função dos rins. Autor de novelas como Pantanal, Renascer e O Rei do Gado, Benedito convivia com a doença havia cerca de três anos e apresentava um quadro avançado, quando os rins já não conseguem desempenhar adequadamente suas funções.

Considerada um importante problema de saúde pública, a doença renal crônica afeta cerca de 788 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo um estudo publicado na revista científica The Lancet. Apenas em 2023, mais de 1,48 milhão de mortes foram associadas à doença.

O que é a doença renal crônica?

A doença renal crônica ocorre quando os rins sofrem uma perda gradual da capacidade de filtrar o sangue por um período superior a três meses. Essa redução da função costuma ser permanente e evolui lentamente, muitas vezes sem causar sintomas nas fases iniciais.

Os rins são responsáveis por funções essenciais do organismo, como eliminar toxinas e excesso de líquidos pela urina, controlar a pressão arterial, manter o equilíbrio de sais minerais, participar da produção de glóbulos vermelhos e contribuir para a saúde dos ossos.

Com a progressão da doença, essas funções passam a ser comprometidas, favorecendo o acúmulo de substâncias tóxicas no organismo e aumentando o risco de complicações como anemia, hipertensão, doenças cardiovasculares e, nos casos mais graves, insuficiência renal, estágio em que os rins deixam de funcionar adequadamente.

Principais sintomas

Um dos maiores desafios da doença renal crônica é que ela costuma evoluir de forma silenciosa. Em muitos pacientes, os sinais aparecem apenas quando a função dos rins já está bastante comprometida.

Os principais sintomas são:

  • Cansaço extremo e fraqueza persistente;
  • Urina com espuma ou presença de sangue;
  • Redução da quantidade de urina;
  • Inchaço nos pés, tornozelos, pernas ou rosto;
  • Pressão alta de difícil controle;
  • Náuseas e vômitos;
  • Perda de apetite;
  • Cãibras musculares;
  • Coceira persistente na pele;
  • Falta de ar;
  • Dificuldade de concentração e confusão mental.

Como a doença evolui?

A doença renal crônica é dividida em cinco estágios, definidos pela Taxa de Filtração Glomerular (TFG), exame que mede a capacidade dos rins de filtrar o sangue.

  • Estágio 1: há sinais de lesão renal, mas a função dos rins permanece preservada.
  • Estágio 2: ocorre uma leve redução da função renal, geralmente sem sintomas.
  • Estágio 3: a perda da função torna-se moderada e podem surgir fadiga, alterações na urina e inchaço.
  • Estágio 4: os rins apresentam comprometimento grave e o paciente passa a ser preparado para terapias que substituem a função renal.
  • Estágio 5: é a fase mais avançada da doença, conhecida como insuficiência renal. Nessa etapa, os rins deixam de desempenhar suas funções de forma adequada, sendo necessário, na maioria dos casos, recorrer à hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal.

Foi nesse estágio avançado da doença que Benedito Ruy Barbosa enfrentava seu tratamento.

Principais causas

Diversas doenças e condições podem levar ao desenvolvimento da doença renal crônica. As principais são:

  • Diabetes;
  • Hipertensão arterial;
  • Doenças renais hereditárias;
  • Infecções urinárias e renais de repetição;
  • Doenças autoimunes;
  • Uso frequente e sem orientação médica de anti-inflamatórios e outros medicamentos que podem causar lesões nos rins.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio de exames de sangue e urina, como a dosagem da creatinina, o cálculo da Taxa de Filtração Glomerular (TFG) e a pesquisa de proteínas na urina. Em alguns casos, exames de imagem também são utilizados para avaliar a estrutura dos rins.

Como a doença pode permanecer sem sintomas por muitos anos, especialistas recomendam que pessoas com fatores de risco façam acompanhamento médico e realizem exames periódicos.

Existe tratamento?

A doença renal crônica não tem cura, mas o tratamento pode retardar sua progressão e reduzir o risco de complicações.

As principais medidas incluem:

  • Controle rigoroso da pressão arterial e da diabetes;
  • Alimentação equilibrada, com redução do consumo de sal;
  • Prática regular de atividade física;
  • Uso dos medicamentos prescritos pelo nefrologista;
  • Evitar o uso indiscriminado de anti-inflamatórios.

Nos casos mais avançados, quando os rins deixam de exercer adequadamente suas funções, o paciente pode precisar de hemodiálise, diálise peritoneal ou transplante renal.

A importância do diagnóstico precoce

Especialistas alertam que identificar a doença ainda nos estágios iniciais é a melhor forma de retardar sua evolução e preservar a função dos rins por mais tempo. Como a DRC costuma ser silenciosa, pessoas com diabetes, hipertensão, histórico familiar de doença renal ou outros fatores de risco devem manter acompanhamento médico e realizar exames regularmente, aumentando as chances de diagnóstico precoce e de um tratamento mais eficaz.

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