TJPB mantém suspensão de plataformas de apostas em todo o Brasil

Decisão manteve bloqueio dos sites da empresa Pixbet após Justiça apontar falhas nos mecanismos para impedir acesso de menores de idade

Kaliane Vitoria
Kaliane Vitoria
Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é apaixonada por comunicação e pelo futebol. Atualmente, é estagiária no portal Th+ SBT, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos. Busca reunir informação, credibilidade e criatividade em todas as suas reportagens.
Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) manteve, nesta quinta-feira (16), a suspensão das plataformas de apostas online da empresa PixBet em todo o território nacional. A decisão foi tomada pelo juiz Adílson Fabrício, após análise de um recurso apresentado pela empresa.

A suspensão havia sido determinada na terça-feira (14) pelo juiz João Lucas Souto Gil Messias, da Vara da Infância e Juventude de Campina Grande. A decisão determinou que a empresa retirasse do ar suas plataformas de apostas, incluindo sites ligados à PixBet, como Flabet e Bet da Sorte.

No recurso, a empresa afirmou que já utiliza sistema de biometria facial e segue as normas estabelecidas pela legislação federal e pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. A PixBet também alegou que a decisão da Justiça de Campina Grande não deveria ter alcance nacional.

Ao analisar o pedido, o juiz do TJPB manteve a decisão e afirmou que plataformas de apostas precisam ter mecanismos mais seguros para evitar o acesso de menores de idade. Segundo o magistrado, a existência de certificações técnicas não garante que os sistemas sejam totalmente eficazes.

A decisão também rejeitou o argumento da empresa de que a Justiça de Campina Grande não poderia determinar uma medida com validade em todo o país.

Entenda a primeira decisão

Na decisão inicial, a Justiça determinou que a suspensão fosse cumprida em até 48 horas. Caso a empresa não atendesse à determinação, poderia ser aplicada uma multa diária de R$ 100 mil.

Para que as plataformas possam voltar a funcionar, a Justiça apontou algumas medidas de segurança, como:

Reconhecimento facial com prova de vida durante acessos e operações financeiras;
Verificação biométrica com bases oficiais;
Bloqueio automático de cadastros feitos com CPFs de menores de idade.

A decisão também levou em consideração a preocupação com o possível acesso de crianças e adolescentes às plataformas. O juiz citou o uso de elementos considerados atrativos para o público infantojuvenil, como jogos de cassino online, incluindo o chamado “Jogo do Tigrinho”, além de publicidade ligada ao esporte.

Segundo a Justiça, essas práticas podem contrariar normas de proteção a crianças e adolescentes previstas na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), na legislação conhecida como ECA Digital e na Lei das Bets.

Até a publicação desta matéria, a PixBet não havia se manifestado sobre a decisão.

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