Heródoto Barbeiro: “Passagem estreita”

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A navegação e o comércio mundiais dependem muito de estreitos, canais e passagens marítimas. Daí a importância de os países fronteiriços ou detentores dessas passagens se empenharem vivamente por sua preponderância sobre elas. Parte significativa das cargas marítimas depende delas para chegar mais brevemente aos seus destinos com preços mais competitivos.

O frete marítimo é mais barato, o rápido recarregamento faz com que o navio seja mais utilizado emergulhe, novamente, nas rotas oceânicas. Os compartimentos de cargas são entupidos de produtos manufaturados, matérias-primas, petróleo e outras mercadorias. O número de embarcações aumenta de ano para ano com mais empresas de navegação. Alguns países locam suas bandeiras para que essas companhias paguem menos impostos do que no país de origem do investidor. Os casos mais conhecidos são o uso de bandeiras da Libéria e do Canadá. Estaleiros e empresas seguradoras engordam os caixas com tal volume de encomendas.

As marinhas de guerra se fortalecem com mais tecnologia militar. O poderio de uma nação apoia-se principalmente em sua esquadra, capaz de intervir em qualquer lugar do globo para defender os interesses colonialistas e imperialistas das nações industrializadas. Atacar uma embarcação de uma dessas nações é provocar uma intervenção maciça de toda a esquadra de guerra.

Assim, as passagens marítimas têm uma importância geopolítica grande. Fechar uma passagem, um estreito ou um canal não é difícil. Até mesmo os países mais fracos militarmente podem fazer isso e impactar diretamente a economia internacional. Um navio afundado no canal ou baterias nas margens dos estreitos são o suficiente para brecar o tráfico marítimo.

As passagens naturais são as mais rentáveis para os países que a assediam. Não dependem de comportas nem de rebocadores, o navio se movimenta com seus próprios motores. Uma delas encurta uma viagem entre a Ásia e a Europa em 7 mil quilômetros, evitando que os navios tenham de dar uma volta completa no continente africano. Por lá passam de 12 a 14 por cento do comércio mundial.

Na inauguração do Canal de Suez estão presentes Eugênia, a mulher do imperador da França, Napoleão III, o escritor português Eça de Queirós – aquele de A Cidade e a Serra – e há quem diga que a ópera Aída, de Giuseppe Verdi, tenha sido apresentada no Cairo. O ano de 1869 marca um avanço no transporte marítimo mundial e um avanço geopolítico da França, uma vez que Suez foi construído pela empresa de Ferdinand Lesseps.

Nem tudo são rosas. Foram empregados um milhão e meio de egípcios e, pelo menos, 120 mil morreram, principalmente de cólera. Uma obra digna de um faraó. Várias dinastias egípcias fizeram as primeiras obras e o canal ficou pronto no século 5 antes de Cristo, e chegaram mesmo a fazer uma circum-navegação do continente africano, segundo o historiador grego Heródoto.

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