A classificação da aeronave que caiu em Mogi Mirim, na tarde de quarta-feira, (29), chamou a atenção de muitas pessoas. No cadastro da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião aparece como “experimental”, mas isso não significa que estivesse em situação irregular.
Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), a aeronave era um Conquest, fabricado em 2004, e sua situação cadastral era normal.
O avião possuía um Certificado Especial de Aeronavegabilidade (CAVE), documento emitido pela Anac que autoriza esse tipo de aeronave a operar dentro das condições estabelecidas pela regulamentação brasileira.
O que é um avião experimental?
Apesar do nome, uma aeronave experimental não é um avião em fase de testes.
Segundo o instrutor de aeronaves leves esportivas Marcos Silva, esse tipo de classificação foi utilizado durante muitos anos para aviões construídos por fabricantes amadores ou antes da criação das regras atuais para aeronaves leves esportivas.
“Na época em que esse avião foi fabricado, em 2004, a legislação era diferente. Depois, a Anac criou regras mais específicas para esse tipo de aeronave, mas isso não torna os modelos antigos irregulares”, explicou.
De acordo com o especialista, a aeronave envolvida no acidente possuía a documentação necessária para voar.
Como era o avião?
De acordo com a Anac, o ultraleve tinha:
- capacidade para duas pessoas;
- peso máximo de decolagem de 650 quilos;
- autorização para voos visuais durante o dia, ou seja, operações realizadas apenas com boas condições de visibilidade;
- operação registrada como privada.
O avião estava registrado em nome de Gérson Luiz Martinez Bastos, proprietário da escola de aviação onde Leonardo trabalhava como instrutor.
A classificação tem relação com o acidente?
Até o momento, não.
Segundo Marcos Silva, não há qualquer indício de que o fato de a aeronave ser experimental tenha provocado a queda.
Para ele, qualquer conclusão neste momento seria precipitada.
“Quem vai determinar as causas é o Cenipa. Existem fatores que podem ter contribuído, como as condições do vento naquele momento, mas afirmar o que aconteceu agora seria apenas uma hipótese”, afirmou.
O que será investigado?
O Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), da Força Aérea Brasileira, já iniciou a investigação.
Os especialistas irão analisar diversos fatores, entre eles:
- as condições meteorológicas no momento da decolagem;
- a documentação da aeronave;
- o histórico de manutenção;
- os vestígios encontrados no local da queda;
- as informações técnicas do voo.
O objetivo da investigação é identificar os fatores que contribuíram para o acidente e evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.
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