Filho paraplégico diz à polícia que pai ignorou necessidade de sondagem urinária antes de agredi-lo em João Pessoa

Em depoimento, jovem afirmou que ficou horas sem conseguir realizar a sondagem urinária e descreveu o pai como uma pessoa "incisiva, truculenta e que não aceita ser contrariada".

Kaliane Vitoria
Kaliane Vitoria
Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é apaixonada por comunicação e pelo futebol. Atualmente, é estagiária no portal Th+ SBT, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos. Busca reunir informação, credibilidade e criatividade em todas as suas reportagens.
Foto: Reprodução

O filho cadeirante agredido pelo próprio pai em um condomínio no bairro do Bessa, em João Pessoa, prestou depoimento à Polícia Civil nesta quarta-feira (30) e relatou detalhes da sequência de acontecimentos que antecedeu as agressões. Segundo a vítima, o pai ignorou seus pedidos para voltar para casa a fim de realizar um procedimento médico indispensável e insistiu em permanecer em estabelecimentos consumindo bebidas alcoólicas.

No depoimento, o jovem contou que ficou paraplégico há cerca de quatro meses, após sofrer um acidente de motocicleta em Parnaíba, no Piauí. Na época, ele morava com a mãe, mas, após o acidente, veio para a Paraíba para morar com o pai durante o período de recuperação. À Polícia Civil, afirmou que a convivência entre os dois é difícil e descreveu o pai como uma pessoa incisiva, truculenta e que não aceita ser contrariada.

Segundo a vítima, na tarde de terça-feira (28), o pai a convidou para um passeio pela orla da Capital. Por volta das 17h40, o jovem pediu para retornar para casa porque precisava realizar a sondagem urinária, procedimento necessário para a retirada da urina acumulada na bexiga em razão da paraplegia. No entanto, conforme o relato, o pai recusou o pedido e decidiu ir a um restaurante, onde consumiu vinho. Em seguida, levou o filho para uma conveniência, onde continuou ingerindo cerveja.

Pai e filho só retornaram ao condomínio por volta da 1h da madrugada. Ainda conforme o depoimento, ao perceber que a urina havia vazado e molhado o banco do carro, o pai passou a insultá-lo com palavras como “seu bosta” e “seu merda”. Em seguida, desferiu diversos socos contra o filho.

Após a repercussão das imagens, o suboficial da reserva da Marinha se apresentou espontaneamente à Central de Polícia Civil, no bairro do Geisel, onde prestou depoimento. Depois de ser ouvido, ele foi liberado. A investigação foi encaminhada para a delegacia responsável pelo caso, que deverá concluir o inquérito.

A Polícia Civil informou que segue apurando os fatos e vai definir o enquadramento jurídico do caso. O investigado poderá responder pelos crimes de tortura ou lesão corporal no contexto de violência doméstica, conforme o resultado das investigações.

Entenda o caso

As agressões aconteceram na madrugada da quarta-feira (29), em um condomínio residencial no bairro do Bessa, em João Pessoa, e foram registradas por câmeras de segurança. As imagens mostram o momento em que o pai agride o filho cadeirante com socos na área comum do prédio.

Após a divulgação do vídeo nas redes sociais, pai e filho foram conduzidos à Central de Polícia Civil para prestar esclarecimentos. O caso ganhou grande repercussão e passou a ser investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer todas as circunstâncias das agressões e responsabilizar o autor conforme a legislação.

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