Haddad diz que Comando Vermelho está ‘se infiltrando pelo Vale’ e propõe gabinete de segurança com Polícia Federal e Receita

Pré-candidato do PT ao governo de São Paulo deu entrevista à NovaBrasil Vale na manhã desta sexta-feira (31) e apresentou plano de segurança em três níveis.

Vitor Hugo Fróes
Vitor Hugo Fróes
Jornalista e publicitário formado pela Universidade do Vale do Paraíba, com trajetória construída em rádio, TV e portais de notícias da região. Ao longo da carreira, atuou como repórter, produtor de telejornais e editor web, além de acumular experiências em assessoria de imprensa e marketing digital. Fora das redações, é praticante de artes marciais, apaixonado por viagens e fã de video games.
Foto: Gabriel Matumoto

O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) afirmou que o Comando Vermelho, facção criminosa originária do Rio de Janeiro, estaria avançando sobre o interior paulista pela região do Vale do Paraíba. A declaração foi dada em entrevista à jornalista Dani Rivas, na rádio NovaBrasil Vale, em São José dos Campos, na manhã desta sexta-feira (31).

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“Nós estamos com um problema gravíssimo de segurança pública. Aqui no Vale do Paraíba está tendo infiltração, inclusive, do Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, que nunca chegou a São Paulo, e está se infiltrando pelo Vale. Vocês estão noticiando isso. Então eu estou muito preocupado, e eu estou apresentando um plano de segurança em três níveis”, declarou.

A região do Vale do Paraíba concentra seis cidades com as maiores taxas de homicídio por 100 mil habitantes do estado.

Foto: Gabriel Matumoto

Segundo Haddad, o primeiro nível do plano mira o “andar de cima” do crime organizado, com foco na estrutura financeira das facções — estratégia que, de acordo com ele, norteou a Operação Carbono Oculto, deflagrada quando comandava o Ministério da Fazenda e que classificou como a maior ação de combate ao crime organizado da história do país.

Caso eleito, o pré-candidato promete criar um gabinete de segurança presidido diretamente pelo governador, com participação de órgãos federais.

“Nós vamos adotar um gabinete institucional, presidido pelo governador, com a presença, inclusive, da Polícia Federal e da Receita Federal. Os representantes da Polícia Federal e da Receita Federal em São Paulo terão assento no gabinete institucional presidido pelo governador, caso eu seja eleito, para assumir diretamente a responsabilidade pela segurança pública”, afirmou.

O segundo eixo do plano é a retomada dos espaços públicos. Haddad citou dados sobre roubos e furtos de celular, afirmando que a capital paulista responde por 20% das ocorrências registradas no país — uma em cada cinco — e que foi preciso um programa federal, o Celular Seguro, para localizar aparelhos roubados, diante da inação do governo estadual.

O petista também criticou a ausência de medidas contra crimes digitais, que, segundo ele, vitimam principalmente idosos, com golpes aplicados por WhatsApp e outros sistemas que chegam a subtrair dezenas de milhares de reais das contas das vítimas.

Críticas a Tarcísio e caso Coutinho

Durante a entrevista, o petista fez duras críticas ao governador Tarcísio de Freitas, seu provável adversário na disputa, e citou o afastamento do coronel Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar, hoje investigado pelo Ministério Público por suposto envolvimento com o PCC.

Haddad fez a ressalva de que considera a cúpula da PM honrada e que nunca ouviu questionamentos sobre o envolvimento da corporação, como um todo, com o crime organizado. Para ele, no entanto, o caso não pode ser tratado como um desvio isolado.

“Pode acontecer numa corporação de um membro trair os compromissos assumidos, trair o seu juramento. Isso pode acontecer numa igreja, pode acontecer num exército, pode acontecer num partido, pode acontecer em qualquer lugar. Mas eu estou falando do comandante-geral da Polícia Militar. O Coronel Coutinho hoje é uma pessoa investigada pelo Ministério Público por envolvimento com o PCC. E o Tarcísio, ao demiti-lo, ao invés de explicar para a população de São Paulo por que estava demitindo, disse que estava afastando, mas que ele tinha grandes serviços prestados ao Estado, mas que ele queria trocar o comando por uma mulher. Então nós estamos mentindo para a população de São Paulo”, disse.

O oficial havia sido indicado pelo próprio governador e permaneceu três anos no cargo, lembrou o pré-candidato, que também fez questão de distinguir os papéis das instituições: quem investiga o caso é o Ministério Público de São Paulo, órgão independente do governo estadual.

As declarações e os dados citados na entrevista são de responsabilidade do pré-candidato. O espaço está aberto para manifestação do governo do Estado de São Paulo e dos demais citados.

Veja a entrevista na íntegra:

Eleições 2026

O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro, das 8h às 17h, quando os eleitores escolherão presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. Se nenhum candidato a governador obtiver mais da metade dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro.

As convenções partidárias vão até 5 de agosto, e a propaganda eleitoral está autorizada a partir de 16 de agosto, com horário eleitoral gratuito no rádio e na TV entre 28 de agosto e 1º de outubro.

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