O pré-candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) defendeu a revisão do modelo de atendimento hospitalar no Vale do Paraíba, com um plano de redistribuição de leitos e a criação de hospitais-dia para procedimentos de menor complexidade, como forma de reduzir os deslocamentos de pacientes do interior até São José dos Campos e Taubaté. As declarações foram dadas em entrevista à jornalista Dani Rivas, na rádio NovaBrasil Vale, em São José dos Campos, na manhã desta sexta-feira (31).
Hoje, moradores de cidades mais afastadas, como as da região do Vale Histórico, precisam viajar horas até os grandes centros da região para consultas com especialistas, exames e cirurgias. Questionado sobre como pretende descentralizar esse acesso, Haddad atribuiu o problema à falta de gestão na regulação das vagas da rede.
“Às vezes, um prefeito é obrigado a gastar muito dinheiro público para deslocamentos de horas de pacientes, porque a central de referência não está alocando as pessoas na unidade mais próxima. Não aproveita a rede. Então está acontecendo coisas absurdas de você ter que ficar 4 ou 5 horas se deslocando com um paciente. Tem gente que está usando carro impróprio para fazer deslocamento, para fazer exame de cirurgia, porque a alocação dos pacientes não é feita de maneira racional, por falta de gestão”, afirmou.
Para o pré-candidato, a resposta para a região não passa necessariamente pela construção de grandes hospitais, mas pela adequação da rede ao perfil de demanda de cada localidade.
“Além disso, você tem que ter um plano de distribuição de leitos. Às vezes, não é um hospital regional que precisa. Às vezes, é um hospital-dia para fazer pequenos procedimentos que não precisam de grandes deslocamentos. Você não ocupa um leito para fazer pequenos procedimentos. Está faltando racionalidade na ação”, disse.
Haddad também acusou o governo estadual de represar exames de imagem e consultas com especialistas, o que, na avaliação dele, explica a redução artificial da fila de cirurgias: sem os exames, os procedimentos não chegam a ser indicados e a demanda deixa de aparecer nas estatísticas.
O hospital-dia é uma modalidade de atendimento intermediária entre o ambulatório e a internação tradicional: o paciente passa por procedimentos que exigem estrutura hospitalar — como cirurgias de pequeno e médio porte e tratamentos supervisionados, a exemplo da quimioterapia — e recebe alta no mesmo dia, sem pernoite. O modelo libera os leitos dos hospitais gerais para casos mais graves e, instalado em cidades menores, aproxima o atendimento de quem hoje precisa viajar até os grandes centros.
Prefeitos e custeio de SAMU e bombeiros
O petista afirmou que prefeitos paulistas — sobretudo os de cidades pequenas — estariam insatisfeitos com a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas evitariam críticas públicas por receio de represálias, e acusou o estado de reduzir a participação no custeio de serviços de emergência, transferindo a conta para os municípios.
“Pergunta se ele dá ambulância para alguém. Pergunta se não é o governo federal que oferece as ambulâncias. Pergunta se ele paga corpo de bombeiros para algum prefeito. Pergunta se ele financia o SAMU para alguém. Não. O governo do estado não participa mais. Ele está tirando o pé de serviços públicos como bombeiro e serviço de ambulância, SAMU, para economizar dinheiro e passar responsabilidade para o prefeito. O prefeito não tem tanta verba para arcar com tudo”, declarou.
Haddad completou o assunto afirmando que a maior parte dos recursos da saúde em São Paulo tem origem federal — mais de 60%, segundo ele — e citou sua atuação como ministro da Fazenda na recomposição do piso da área, com R$ 100 bilhões repostos a estados e municípios após cortes que atribuiu às gestões de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Para o pré-candidato, no entanto, o problema central do estado não é financeiro, e sim de gestão: sem ela, na avaliação dele, o acúmulo de procedimentos represados vai continuar.
As declarações e os relatos citados na entrevista são de responsabilidade do pré-candidato. O espaço está aberto para manifestação do governo do Estado de São Paulo e dos demais citados.
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