Surto psicótico: entenda o que é, quais os sintomas, as causas e como agir diante de um episódio

Condição provoca perda temporária do contato com a realidade e pode estar associada a transtornos mentais, uso de drogas ou outras doenças.

Kaliane Vitoria
Kaliane Vitoria
Estudante de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), é apaixonada por comunicação e pelo futebol. Atualmente, é estagiária no portal Th+ SBT, onde atua na produção de conteúdos jornalísticos. Busca reunir informação, credibilidade e criatividade em todas as suas reportagens.
Foto: Reprodução

O surto psicótico é um episódio em que a pessoa perde temporariamente o contato com a realidade, podendo apresentar alterações importantes no pensamento, na percepção e no comportamento. Embora seja frequentemente associado a transtornos mentais, especialistas alertam que a psicose é um sintoma, e não uma doença, podendo ser desencadeada por diferentes condições clínicas e psicológicas.

Segundo o médico psiquiatra André de Aguiar Wolter, do Hospital Santa Mônica, os sintomas psicóticos são “fenômenos sensoriais ou conteúdos de pensamento que fogem da realidade”. Entre as manifestações mais comuns estão alucinações, como ouvir vozes ou ver pessoas e objetos inexistentes, e delírios, caracterizados por crenças falsas que permanecem mesmo diante de evidências contrárias, como acreditar estar sendo perseguido.

Além disso, um episódio pode provocar confusão mental, dificuldade de comunicação, isolamento social, mudanças bruscas de humor, ansiedade intensa, comportamento desorganizado, perda da noção de tempo e espaço e, em alguns casos, agressividade ou catatonia — quando a pessoa permanece imóvel e sem reação.

O que pode provocar um surto?

De acordo com o psiquiatra André Wolter, diversas situações podem desencadear um surto psicótico. Entre elas estão transtornos psiquiátricos, como esquizofrenia, transtorno bipolar e depressão grave, além de doenças neurológicas, infecções, alterações hormonais, efeitos adversos de medicamentos e predisposição genética.

O especialista também destaca que o uso abusivo ou a abstinência de álcool e outras drogas estão entre as principais causas. Substâncias como maconha, cocaína e alucinógenos alteram o funcionamento do sistema nervoso central e podem desencadrar sintomas psicóticos, principalmente em pessoas predispostas.

Outros fatores associados incluem privação prolongada de sono, estresse psicológico intenso, experiências traumáticas e lesões cerebrais.

Como agir diante de uma pessoa em surto

A recomendação é manter a calma, evitar discussões ou confrontos e não tentar convencer a pessoa de que suas percepções estão erradas. Também é importante afastar objetos que possam oferecer risco e, se possível, conduzir o paciente para um ambiente tranquilo.

Especialistas orientam que familiares ou pessoas próximas acionem imediatamente serviços de emergência, como o Samu (192), Corpo de Bombeiros ou equipes especializadas em saúde mental, principalmente quando houver risco para o próprio paciente ou para terceiros.

Tratamento

O tratamento depende da causa do surto e deve ser definido por profissionais de saúde após avaliação clínica. Em geral, envolve medicação antipsicótica, acompanhamento psiquiátrico e psicológico e, em alguns casos, internação hospitalar para estabilização do quadro.

Segundo especialistas, quanto mais cedo o paciente recebe atendimento, maiores são as chances de recuperação e de prevenção de novos episódios.

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