O município de Araçatuba (SP) confirmou o primeiro óbito por Leishmaniose Visceral Humana (LVH) de 2026. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, entre janeiro e julho deste ano foram registrados dois casos da doença na cidade, sendo que um deles evoluiu para a morte do paciente. A vítima é um homem de 74 anos.
Na comparação com o mesmo período de 2025 (janeiro a julho), o número de diagnósticos humanos ficou estável, com 2 casos confirmados na época. Em todo o ano passado, três pessoas contraíram a doença, mas não houve óbitos.
Já em relação aos animais, os dados apontam uma redução de 38% nos testes positivos: foram 177 cães diagnosticados com leishmaniose visceral de janeiro a julho de 2026, contra 286 registros no mesmo intervalo do ano anterior.
Sintomas
A leishmaniose visceral é uma doença infecciosa grave transmitida pela picada do mosquito-palha infectado pelo protozoário do gênero Leishmania. O diagnóstico no início dos sintomas é essencial para evitar o agravamento e o risco de morte.
Nos seres humanos, os principais sinais incluem febre de longa duração (que pode persistir por várias semanas), perda de peso progressiva, fraqueza, palidez na pele e aumento significativo do volume abdominal, provocado pelo inchaço do fígado e do baço.
Já nos cães, os sintomas mais frequentes são o emagrecimento rápido, crescimento exagerado das unhas, perda de pelos (principalmente na região das orelhas e ao redor dos olhos), feridas de cicatrização difícil e desânimo constante.
Ao identificar qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar atendimento imediato em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) ou no Pronto-Socorro.
Retomada da Campanha ‘Fora Leish’
Para controlar a proliferação da doença, a Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba retomou o quarto ciclo da campanha Fora Leish. A ação oferece a troca gratuita de coleiras repelentes impregnadas com deltametrina a 4% (inseticida sintético) e a coleta de sangue para exames laboratoriais em cães já cadastrados nas fases anteriores. Para esta ação, o Ministério da Saúde enviou uma remessa de 3,5 mil unidades ao município.
A definição do cronograma ocorreu após reunião entre o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), a Unidade de Vigilância em Zoonoses (UVZ) e o Grupo Técnico Regional do Instituto Pasteur.
De acordo com a dirigente do CCZ, Rute Mara Floriano Paulino, as visitas domiciliares dos agentes de combate às endemias são realizadas exclusivamente nos bairros TV, Planalto, Umuarama 1, Umuarama 2, São Vicente e Centro.
O encoleiramento cria uma barreira química que impede a picada do vetor nos cães, interrompendo a transmissão da zoonose. A campanha é realizada por meio de parceria entre a Prefeitura de Araçatuba, o Ministério da Saúde, o Governo do Estado de São Paulo, o Instituto Pasteur e a Unesp.
Desde o início das intervenções, em maio de 2024, já foram efetuados 35.322 encoleiramentos nos dois primeiros ciclos e 11.121 substituições no terceiro ciclo, com uma cobertura média de 90% nos bairros atendidos.
Ações de vigilância
A Secretaria também mantém ações de vigilância, prevenção e controle da leishmaniose, incluindo atividades educativas e orientações à população, controle do mosquito-palha, manejo ambiental, diagnóstico da leishmaniose visceral canina e atualização técnica das equipes responsáveis pelo controle da doença.
Durante a Semana Estadual de Prevenção e Controle da Leishmaniose Visceral, neste mês de agosto, foram realizadas atividades educativas nas UBSs e capacitação das equipes do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ).


