Contato pele a pele na primeira hora pode estabilizar bebê e facilitar amamentação

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Os primeiros minutos após o parto são um período de adaptação intensa para o recém-nascido: fora do útero, ele precisa começar a respirar sozinho, manter a temperatura corporal, estabilizar os batimentos cardíacos e iniciar a alimentação. Nesse cenário, um cuidado simples tem ganhado status de prioridade em maternidades: o contato pele a pele imediato.

A ginecologista Ana Horovitz afirma que colocar o bebê diretamente sobre o peito de quem vai amamentar, logo após o nascimento, “vai muito além do vínculo emocional”. Segundo ela, essa prática ajuda o organismo do recém-nascido a fazer uma transição mais estável para o ambiente externo.

Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) orientam que, quando for seguro para mãe e bebê, o contato pele a pele seja iniciado assim que possível e mantido por pelo menos a primeira hora de vida.

Na prática, a medida costuma ser feita com o bebê apenas de fralda, deitado sobre o tórax da mãe (ou de quem irá amamentar), e coberto para manter o aquecimento, enquanto a equipe monitora sinais vitais e avalia a adaptação ao nascimento.

Como o corpo da mãe ajuda o bebê a se adaptar

Ao sair de um ambiente protegido e aquecido, o recém-nascido perde calor com facilidade. O contato direto com a pele materna funciona como uma “ponte” para essa mudança e favorece o controle térmico.

Há evidências de que o tórax da mãe pode ajustar a própria temperatura em pequenos graus para ajudar a aquecer ou resfriar o bebê, o que torna o método especialmente útil para evitar a queda de temperatura nos primeiros minutos de vida.

Além do calor, o contato pele a pele contribui para estabilizar a frequência cardíaca e melhorar a oxigenação. Ana Horovitz destaca que o bebê reconhece estímulos familiares, como cheiro, voz e batimentos cardíacos, o que pode diminuir o estresse. “Essa familiaridade ajuda a acalmar o recém-nascido e torna a transição mais tranquila”, explica a médica.

Em casos de prematuridade, os ganhos podem ser ainda mais relevantes. O chamado Método Canguru, utilizado em unidades neonatais, é associado a melhores resultados em grupos específicos, como redução de infecções, melhor ganho de peso e diminuição da mortalidade neonatal.

Amamentação: o início pode acontecer ainda na sala de parto

O contato pele a pele também é apontado como um dos fatores que favorecem a amamentação. Quando o bebê é colocado sobre o tórax da mãe logo após o parto, reflexos naturais tendem a se ativar, e muitos recém-nascidos conseguem se deslocar até a mama e iniciar a sucção ainda na primeira hora.

Isso pode contribuir para uma “pega” mais eficiente e aumentar as chances de aleitamento materno exclusivo. O contato também estimula a liberação de ocitocina, hormônio ligado à ejeção do leite e ao fortalecimento do vínculo. “É um momento em que o corpo e o comportamento do bebê trabalham a favor da amamentação”, afirma Ana Horovitz.

Estudos publicados em diferentes revisões científicas indicam que mães que fazem o contato pele a pele precoce tendem a manter a amamentação por mais tempo nos meses seguintes.

Foto: Freepik.

Efeitos que podem se prolongar por anos

Pesquisas sobre impactos de longo prazo ainda estão em andamento, mas os resultados disponíveis são considerados promissores. Há associação entre o contato precoce e indicadores de desenvolvimento neuroemocional, como melhor qualidade do sono, menos episódios de choro excessivo e menor resposta ao estresse nos primeiros anos de vida.

Os benefícios podem se estender também à saúde mental materna. Alguns estudos apontam redução do risco de ansiedade e depressão pós-parto em determinados contextos, especialmente quando o início da amamentação e o vínculo são facilitados logo após o nascimento.

Nem sempre, porém, o contato imediato é possível. Situações clínicas podem exigir atendimento prioritário ao bebê ou à mãe. Ainda assim, especialistas defendem que, sempre que houver segurança, o contato pele a pele seja incentivado como parte do cuidado padrão ao nascimento. “Muitas vezes, um dos cuidados mais sofisticados começa com algo simples: manter o bebê no peito logo no início da vida”, resume Ana Horovitz.

Entre as principais referências sobre o tema estão recomendações da OMS, Unicef, Sociedade Brasileira de Pediatria e diretrizes do Ministério da Saúde sobre o Método Canguru, além de publicações científicas e revisões que analisam a relação entre contato pele a pele e amamentação.

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