Suspeito de liderar esquema do INSS se entrega à Polícia Federal

Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, estava com prisão preventiva decretada desde 11 de novembro de 2025

Divulgação/Câmara dos Deputados

Um dos principais alvos da operação sobre descontos indevidos no INSS, o presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares), Carlos Roberto Ferreira Lopes, se entregou na noite desta quarta-feira (12) à Polícia Federal. Ele era considerado foragido pelas autoridades.

Lopes foi um dos 48 indiciados no primeiro relatório da PF sobre o caso, concluído em julho, que tratava de suspeitas relacionadas à confederação.

Ele teve a prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), no dia 11 de novembro do ano passado.

Uma nota divulgada pela Conafer nesta quinta (13) diz que ele se apresentou espontaneamente e que “sua apresentação voluntária não representa reconhecimento de responsabilidade, confissão ou concordância com qualquer narrativa acusatória”.

“Ao contrário, marca o início de uma nova etapa de sua defesa, agora concentrada na apresentação organizada de documentos, informações e elementos probatórios destinados ao esclarecimento integral dos fatos”, diz o comunicado.

“Carlos Lopes confia que a análise completa das provas permitirá distinguir fatos comprovados de interpretações, presunções ou versões ainda sujeitas ao contraditório. Sua postura será de cooperação institucional dentro dos limites da lei, respeito às autoridades e exercício firme de todos os direitos e garantias constitucionais.”

Lopes controlava as transferências financeiras e decidia a distribuição dos recursos desviados do INSS, além de ser o responsável pela orientação das fraudes e pela articulação política do grupo, segundo as suspeitas da PF.

De acordo com a polícia, ele também determinava a obtenção de assinaturas de beneficiários mediante visitas domiciliares em que os contratados eram instruídos a induzir idosos a assinar formulários de atualização de dados, que depois eram convertidos em fichas de filiação associativa falsas.

“A leitura da representação da Polícia Federal permite a conclusão de que ele (Lopes) seria uma espécie de centro de gravidade da organização, dotado de poder decisório sobre os demais núcleos e responsável pela manutenção da cadeia de pagamentos ilícitos”, disse Mendonça, na decisão do ano passado.

Além dele, foram indiciados o ex-presidente do Alessandro Stefanutto e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Ambos negam irregularidades.

THAÍSA OLIVEIRA E JOSÉ MARQUES / Folhapress

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