Aberto do Santos São Vicente recebeu rodada decisiva para o golfe paulista

Chuva alterou programação, mas não impediu a disputa do 74º Campeonato Aberto de Golfe, que reuniu atletas de olho em vagas internacionais

Eduardo Cabrera
Eduardo Cabrera
Como dizia Chorão: "Eu vim de Santos". Estudante de Jornalismo na Universidade Católica de Santos, sou apaixonado por esporte, música e comunicação. Torcedor do Santos FC, acredito no jornalismo como uma ferramenta para informar, conectar pessoas e contar histórias.
Foto: Thais Pastor

Mesmo com a forte chuva no último sábado (15), o Santos São Vicente Golf Club recebeu a 74ª edição do tradicional Campeonato Aberto de Golfe WTC Capital BTG Pactual. O temporal causou atraso no início das disputas e obrigou a adaptar o formato da competição, de maneira que fosse concluído no domingo (16).

A chuva encurtou a primeira rodada. “Normalmente seriam 18 buracos por dia. Como a forte chuva fez o evento atrasar por volta de 4h para o início das disputas, fizemos uma adaptação. Foram realizados 9 buracos no sábado e 18 no domingo. A Federação tem o poder de fazer esses ajustes em situações extraordinárias. Portanto, em vez dos 36 buracos na soma total, fizemos 27”, explicou Mauro Batista, diretor executivo da Federação Paulista de Golfe (FPGolfe).

Segundo Batista, a redução de percurso por causa do clima é comum na modalidade, no Brasil e no exterior, inclusive em competições profissionais, e o total disputado preservou a validade do torneio para os rankings e classificações. No domingo pela manhã, uma neblina forte ainda surpreendeu os organizadores, mas as saídas ocorreram nos horários previstos, sem prejuízo ao andamento das provas.

Corrida por vaga internacional

Mais do que um título, o Aberto vale pontos para os rankings masculino e feminino da FPGolfe, que ajudam a definir os representantes de São Paulo no XVIII Campeonato Latino-Americano de Golfe, marcado para 5 a 10 de outubro, em Punta Cana, na República Dominicana. Segundo a Federação, a seletiva paulista se encerra na semana seguinte, em Cotia, o que tornou a disputa no Santos São Vicente ainda mais acirrada.

Para Flávio Maschietto, presidente da FPGolfe, o momento explica o nível técnico visto no campo. “A disputa pelos ranqueados está forte. O Santos São Vicente é um dos campos onde esses jogadores estão lutando pela sua vaga. Então o nível e a competitividade foram enormes, muito emocionantes”, afirmou. Ele associou o torneio à tradição do esporte no estado. “É uma satisfação muito grande estar aqui no São Vicente, um clube de 1915, um dos mais antigos de São Paulo. Isso é a tradição do golfe, e por isso esse circuito é tão importante”, disse.

Maschietto reforçou o trabalho de popularização da modalidade. Segundo ele, a Federação reúne 54 clubes filiados e mantém um centro de treinamento em São Paulo, ao lado do aeroporto de Congonhas, aberto ao público. “Os clubes têm papel fundamental em trazer novos golfistas. Um torneio como esse e ações de fomento são um caminho para popularizar o golfe”, avaliou. Sobre a chuva, foi bem-humorado: “Dizem que em campo de golfe não chove. Para quem gosta, a chuva é um mero detalhe. Dificultou, mas não ofuscou o evento”.

Os campeões

Na Scratch, a principal categoria do golfe amador, o título masculino ficou com Marcos Aurélio Negrini (DGC), que defendeu a conquista do ano anterior, seguido de Fernando Augusto Silva (HAG). No feminino, a campeã foi Carla Ziliotto (FPGolfe), líder do ranking paulista e apontada como a melhor jogadora do estado, com Kyoung Aie Kim (CGC) em segundo.

Confira os premiados nas demais categorias:

Geral Stableford masculino: 1º Alessandro Duque (GGC), 2º Ricardo Gonzalez de Oliveira Jr. (SSVGC) e 3º Carlos Alberto Vieira Xavier (SSVGC).

Geral Stableford feminino: 1ª Jussaine Sternberg (GGC), 2ª Ana Gabriela Siqueira Molinero (DGC) e 3ª Daniela Rodrigues de Oliveira (RPG).

Handicap até 8,5 (masculino): 1º Rogério Alves Cardoso (DGC), 2º Ivan Tetsuya Tsukazan (DGC) e 3º Gilson Silva (AG).

Handicap 8,6 a 14,0 (masculino): 1º Gross William Souza Muniz (RGGC), 1º Net Ricardo Campos Barbosa (LAGC) e 2º Net Tabajara Zuniga (SSVGC).

Handicap 14,1 a 19,4 (masculino): 1º Gross Valdir Nunes de Oliveira (SSVGC), 1º Net Jair Carmona (RGGC) e 2º Net Alexander Cho (RGGC).

Handicap 19,5 a 25,7 (masculino): 1º Gross Eduardo Augusto da Costa Rodrigues (PJGC), 1º Net Leonel B. Fabrega de Carvalho (SSVGC) e 2º Net Gabriel Macário (SSVGC).

Handicap até 16,0 (feminino): 1ª Juliana Silva Viana Passos (RGGC), 2ª Mi Ja Kim (CGC) e 3ª Solange Rodrigues Cabral de Souza (GGCC).

Handicap 16,1 a 25,7 (feminino): 1ª Gross Suin Lee (CGC), 1ª Net Ivaneide Benedita da Silva (RGGC) e 2ª Net Omi Suh (PAGC).

Novas gerações em campo

O torneio reforçou a vocação do golfe como esporte para todas as idades. Entre os participantes mais jovens esteve Lorenzo Zuniga, de 13 anos, que se recuperou de um sábado difícil para fazer sua melhor rodada no domingo. “Ontem meu jogo não entrou, mas mantive a calma. Hoje minha mente estava alinhada e o jogo entrou. Foi o que decidiu o torneio para mim”, contou. O jovem sabe que a caminhada continua: “Não estava bem ranqueado porque faltei a alguns torneios. Se eu quiser ir a Punta Cana, preciso vencer também o Aberto do Estado”, disse, citando o prazer de competir em casa

Programação social

Fiel à tradição, o Aberto uniu o esporte a uma programação gastronômica e musical. No sábado, a tradicional Feijoada do Dom reuniu o público em um dia marcado por horas de atrações musicais. No domingo, dia da final, o almoço de Paella com música ao vivo antecedeu a cerimônia de premiação, num ambiente que reuniu golfistas, famílias e a comunidade local.

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