‘Cidade inteira está em choque’, diz moradora de Imbituva (PR) após acidente com 23 mortes

Segundo o inspetor, o caminhão é do tipo que realiza transporte de animais. No momento do acidente, ele estava sem nenhuma carga.

Divulgação: PRF

Familiares de vítimas do acidente que deixou 23 mortos na madrugada desta quarta-feira (19) na BR-373, no Paraná, começam a chegar em Ponta Grossa, cidade que presta atendimento aos cinco sobreviventes feridos.

A batida ocorreu entre um caminhão e um micro-ônibus da Prefeitura de Imbituva, que levava pacientes e acompanhantes para hospitais na Grande Curitiba.

Os feridos no acidente foram encaminhados a instituições de saúde de Ponta Grossa, que fica a 61 km de Imbituva, município com cerca de 30 mil habitantes. “Estamos muito abalados, mas ele já é um vitorioso”, disse Marilda Bertus Cabreira, esposa de Assis Cabreira, 62, um dos sobreviventes do acidente. Ele foi internado no Hospital Universitário Regional da UEPG e passava por cirurgia.

Emocionada, Marilda contou que o marido estava no micro-ônibus para consulta no Hospital do Trabalhador, na capital paranense, onde faz um tratamento para a coluna. Segundo ela, Assis teve uma perfuração no baço e uma fratura exposta no joelho.

Ana Maria Araújo, moradora de Imbituva e amiga que acompanhou Marilda ao hospital, também lamentou a tragédia. “A cidade inteira está em choque”, afirmou.

Ela foi colega de escola do motorista do ônibus, que foi um dos mortos no acidente. “Ele era um bom rapaz, um motorista paciente com todos. É uma tristeza imensa ter perdido a vida assim”, disse.

Ana Maria faz o mesmo trajeto quinzenalmente, para acompanhamento no Hospital Erasto Gaertner.

Segundo a Prefeitura de Imbituva, os sobreviventes são, além de Cabreira, Edenilda Taymara Pereira de Medeiros, 26, Luan Gabriel de Brito, 6, Elio Antônio Rosa, 49, e João Miguel Pereira, 22.

Os corpos dos 23 mortos —13 mulheres, 8 homens e duas crianças— foram encaminhados à Unidade de Execução Técnico-Científica da Polícia Científica em Ponta Grossa para perícia e identificação. Familiares das vítimas estão a caminho do local.

O secretário estadual de Segurança Pública, coronel Hudson Teixeira, afirmou durante entrevista coletiva no final da manhã desta quarta que a identificação dos corpos deve acontecer até o final do dia. A Prefeitura de Imbituva organiza um velório coletivo.

Sobre a investigação das causas do acidente, Teixeira disse que a PRF (Polícia Rodoviária Federal), a Polícia Científica e a Polícia Civil trabalham nos laudos periciais. Os veículos bateram por volta das 3h30, quando eles passavam pela cidade de Ipiranga.

“Só após os laudos periciais teremos uma conclusão sobre o motivo do acidente. Grosso modo, perceber-se que o caminhão transitava no momento pela contramão, colidindo frontalmente e transversalmente com o ônibus. Há uma marca de frenagem no local“, disse ele.

Na mesma coletiva, o inspetor Berteli, da PRF, disse que, como o caminhão saiu da sua faixa, há “indício forte de que o erro foi do caminhão”, mas acrescentou que a apuração está em andamento. O motorista do caminhão está entre os 23 mortos.

Questionado pela imprensa se o caminhoneiro pode ter dormido ao volante, o inspetor afirmou que “existe esta possibilidade pelo horário e pelas condições, porque não tinha nenhuma condição climática adversa, como chuva ou neblina”. “Mas precisamos aguardar os laudos”, reforçou.

O caminhão está vinculado a uma empresa com placas de Erechim (RS), mas o nome dela não foi divulgado pela PRF, alegando que cumpre a LGPD. O inspetor antecipou que o tacógrafo do caminhão “não estava em pleno funcionamento”.

Segundo o inspetor, o caminhão é do tipo que realiza transporte de animais. No momento do acidente, ele estava sem nenhuma carga.

 

CATARINA SCORTECCI E CAROLINA MAINARDES / Folhapress

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