O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, disse neste sábado (29) que o país pode precisar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões para se reconstruir após as enchentes desta semana, um custo equivalente a quase um décimo da economia do país.
“Esta é apenas uma estimativa”, afirmou Wagle à agência de notícias Reuters. “Precisaremos de muito menos do que foi necessário após o terremoto de 2015. As perdas e os danos estão sendo avaliados.”
O número de mortos após o deslizamento de terra no norte do Nepal, na fronteira com a região do Tibete, na China, subiu para 616, informou a polícia nepalesa neste sábado (29). Pequim havia informado anteriormente sobre sete mortes em seu território, elevando o total da catástrofe para pelo menos 623 mortos.
Quase 3.000 pessoas continuam desaparecidas -cerca de 2.426 no Nepal e pelo menos 554 no condado de Gyirong, no Tibete, incluindo pelo menos 540 estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus vindos da Índia.
O ministro das Finanças não explicou por que se espera que o custo da reconstrução seja inferior aos US$ 9 bilhões gastos após o terremoto de magnitude 7,8 de 2015, o pior desastre já registrado no Nepal. O terremoto matou quase 9.000 pessoas, destruiu mais de 500 mil residências e causou prejuízos estimados em cerca de um terço da economia nepalesa.
Ainda assim, as enchentes de quarta-feira (29) representarão um prejuízo para uma economia dependente de remessas de trabalhadores no exterior, do turismo e da energia hidrelétrica, ao danificar projetos de geração que respondem por mais de 12% da capacidade nacional.
O Nepal suspendeu as operações de busca e resgate neste sábado devido ao mau tempo e afirmou precisar de ajuda técnica estrangeira para lidar com a enchente devastadora.
“As operações de busca e resgate foram temporariamente interrompidas porque está chovendo e o tempo está com neblina”, disse à Reuters Narendra Pariyar, principal autoridade administrativa do distrito de Rasuwa.
Autoridades disseram que alguns corpos recuperados agora estavam em processo de decomposição a ponto de não poderem ser reconhecidos. Eles serão sepultados após o cumprimento das formalidades legais, devido aos riscos à saúde e ao temor de epidemias.
“Serão coletadas amostras de DNA, e os corpos serão sepultados em um espaço aberto”, informou a administração do distrito de Chitwan em um comunicado.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, disse que o país não precisa de ajuda nas operações de busca e resgate, mas de apoio técnico.
Dentre as necessidades, estão assistência para retirar pessoas presas em túneis, restabelecer as ligações de transporte e comunicação em locais onde pontes foram destruídas, identificar os mortos, realizar testes de DNA e armazenar corpos por períodos mais longos.
“Já fizemos pedidos por esses serviços especializados e por assistência técnica em áreas nas quais não temos experiência e conhecimento técnico suficientes”, disse.
Redação / Folhapress


