Projeto que proíbe anúncios de bets em espaços públicos de João Pessoa aguarda sanção ou veto

A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal em 28 de maio e encaminhada ao Executivo em 2 de junho.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Imagem: Reprodução

Um projeto que proíbe a publicidade de plataformas de apostas, as chamadas bets, em espaços e eventos públicos de João Pessoa aguarda sanção ou veto do prefeito Leo Bezerra. A proposta foi aprovada pela Câmara Municipal em 28 de maio e encaminhada ao Executivo em 2 de junho.

Enquanto não houver sanção, veto ou eventual promulgação conforme os procedimentos legais, as regras previstas no projeto ainda não estão em vigor.

A proposta é de autoria do vereador Guguinha Moov Jampa e estabelece restrições para anúncios de casas de apostas em locais e atividades que dependam de autorização, concessão ou apoio do poder público municipal.

Onde a publicidade seria proibida

O texto aprovado pela Câmara prevê a proibição de anúncios de bets em equipamentos e mobiliários urbanos sujeitos à autorização municipal.

Entre os locais citados estão:

  • outdoors;
  • painéis de LED;
  • pontos de ônibus;
  • praças;
  • relógios urbanos;
  • muros.

A restrição também alcançaria espaços e meios de divulgação submetidos a concessão, permissão, outorga ou autorização do município.

Eventos esportivos, culturais, educativos e de lazer patrocinados ou apoiados pelo poder público municipal também seriam incluídos na proibição.

Uniformes e materiais também entram na proposta

O projeto ainda prevê restrições para a presença de publicidade de bets em uniformes e materiais esportivos ou escolares utilizados por programas, projetos ou instituições municipais.

Em caso de descumprimento, a proposta estabelece multa de até 500 UFIR-JP por peça publicitária. Em caso de reincidência, o valor seria dobrado.

A repetição das infrações poderia ainda resultar em suspensão da licença municipal e, posteriormente, em cassação do alvará e interdição do estabelecimento responsável pela publicidade, conforme o texto aprovado.

Vereador defende sanção

O autor da proposta tem cobrado uma decisão do Executivo municipal. Em manifestação na Câmara, Guguinha Moov Jampa relacionou a medida aos impactos sociais provocados pelo vício em apostas.

O vereador afirmou que a proposta não pretende impedir a atuação empresarial das casas de apostas, mas restringir a utilização de espaços públicos para divulgação das plataformas.

Debate ocorre em outros estados

A discussão sobre publicidade de bets em espaços públicos também ocorre em outras partes do país.

Em 20 de agosto, o governo de Minas Gerais anunciou medidas para restringir a atuação de casas de apostas em espaços públicos estaduais. Entre as ações divulgadas estão a proibição de publicidade de bets em bens do Estado e medidas relacionadas à operação da Loteria Mineira e a contratos com empresas do setor.

Apostas movimentam debate econômico

O impacto das apostas online também entrou no debate sobre o orçamento das famílias brasileiras.

Segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros, elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) em parceria com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento (Cicef), as apostas online representaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025.

O levantamento utilizou dados do Banco Central e das Estatísticas de Pagamentos por Atividade Econômica.

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