Alessandra Leão fala sobre ancestralidade, tambores e quase três décadas de música no ‘Vozes da Vez’

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Alessandra Leão é a convidada da semana do Vozes da Vez, talk-radio-show da Novabrasil que vai ao ar todo sábado, às 8h, apresentado pela jornalista Fabiane Pereira. Alessandra é uma artista que fez da música território de memória, pesquisa, fé e invenção.

Cantora, compositora, percussionista e produtora pernambucana, ela construiu, ao longo de quase três décadas de trajetória, uma obra profundamente conectada às tradições populares e de terreiro do Brasil, sem jamais tratá-las como algo preso ao passado.

É justamente nesse encontro entre ancestralidade e contemporaneidade que mora uma das forças de seu trabalho. Na música de Alessandra, o tambor não aparece apenas como instrumento: é linguagem, memória, comunicação e fundamento.

Sua obra atravessa ritmos, cantos, referências religiosas e manifestações da cultura popular, ao mesmo tempo em que dialoga com outras sonoridades e possibilidades da música brasileira contemporânea.

Fabiane Pereira e Alessandra Leão. Foto: Novabrasil.

Nascida em Pernambuco, Alessandra iniciou sua trajetória profissional ainda nos anos 1990 e integrou o grupo Comadre Fulozinha, surgido no Recife e formado por mulheres instrumentistas, cantoras e compositoras. A experiência foi importante para uma geração que cresceu em meio à efervescência cultural pernambucana daquele período, quando tradição e experimentação passaram a caminhar cada vez mais próximas.

Em carreira solo, Alessandra aprofundou essa investigação e desenvolveu uma linguagem muito particular, em que composição, percussão, pesquisa e espiritualidade se atravessam. Ao longo dos anos, sua discografia foi se transformando também em um espaço de encontro com mestres, mestras, músicos, compositores e diferentes tradições.

Um dos trabalhos que sintetizam essa busca é “Macumbas e Catimbós”, lançado em 2019 e indicado ao Grammy Latino. O álbum mergulha em universos religiosos e musicais afro-indígenas brasileiros e reafirma uma característica que acompanha toda a produção da artista: o interesse não apenas pelos ritmos, mas pelas histórias, saberes e pessoas que mantêm essas culturas vivas.

Essa relação ultrapassa o palco e o estúdio. Alessandra é também curimbeira do Terreiro Recanto Quiguiriçá, experiência que ajuda a compreender a centralidade

do tambor em sua vida e em sua criação. Para ela, tocar não está dissociado de escutar, aprender e reconhecer os caminhos percorridos antes por outras gerações.

Esse olhar aparece também em projetos como “Tempo de Mestras”, dedicado à valorização e à escuta de mulheres detentoras de saberes tradicionais – e patrocinado pela Natura Musical – , reforçando uma questão recorrente em sua trajetória: quem são as pessoas que guardam e transmitem parte importante da memória cultural brasileira — e como fazer com que essas vozes continuem sendo ouvidas?

Ao mesmo tempo, Alessandra segue estabelecendo pontes com a música produzida agora. Recentemente, participou de “OKÊ”, faixa de Anitta ao lado de Katu Mirim e Bro MC’s, levando para um projeto de grande alcance elementos de um universo que pesquisa, pratica e defende há décadas.

No Vozes da Vez, Alessandra Leão revisita essa caminhada e conversa sobre Pernambuco, composição, religiosidade, cultura popular, a presença das mulheres na percussão e a relação entre tradição e futuro. E, claro, fala sobre o elemento que atravessa boa parte dessa história: o tambor.

Porque, na obra de Alessandra Leão, o tambor não marca apenas o tempo da música. Ele carrega histórias, convoca memórias e ajuda a estabelecer uma conversa entre quem veio antes, quem está aqui agora e quem ainda virá.

Ouça abaixo:

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