A farmacêutica Eli Lilly anunciou a compra da Merida Biosciences por até US$ 2,88 bilhões (R$ 14,96 bilhões) em dinheiro para ampliar o seu portfólio. A Merida é uma empresa de biotecnologia que desenvolve tratamentos para doenças autoimunes e alérgicas graves.
Criadora do Mounjaro e do Zepbound, a Lilly vem promovendo uma onda de aquisições após os lucros obtidos com o sucesso de seus medicamentos contra a obesidade. Segundo a Bloomberg, a companhia já gastou mais de US$ 20 bilhões (R$ 103,92 bilhões) em aquisições neste ano, voltando os seus investimentos para medicamentos em fases iniciais.
A farmacêutica norte-americana informou que haverá um pagamento inicial, que não teve a quantia divulgada, e outros valores que dependerão de marcas a serem atingidas.
A negociação ainda deve ser aprovada por órgãos de concorrência e agências regulatórias, com previsão de conclusão para o quarto trimestre de 2026.
De acordo com a Lilly, a Merida iniciou a fase 1 de um tratamento contra a doença de Graves e também a doença ocular de tireoide (TED), ambas causadas por imunoglobulinas estimuladoras da tireoide.
Segundo a farmacêutica, a doença de Graves afeta aproximadamente 3 milhões de pessoas apenas nos Estados Unidos, sendo que 25% a 40% delas desenvolvem o TED, que pode causar dor, desfiguração e perda de visão.
A empresa adquirida pela Lilly também está desenvolvendo um programa pré-clínico “voltado para alergia alimentar, asma, urticária crônica espontânea e outras doenças causadas pelo anticorpo responsável por desencadear reações alérgicas, além de programas em estágios iniciais para doenças renais, como a nefropatia membranosa, e outras condições imunomediadas”.
“Estamos estruturando nosso portfólio em torno de terapias que alterem de forma significativa o curso da doença, e não apenas seus efeitos subsequentes. O principal programa da Merida foi concebido para fazer exatamente isso: eliminar de forma seletiva e direta os autoanticorpos que causam a doença de Graves e a doença ocular da tireoide, preservando a função imunológica normal, enquanto os dados iniciais da fase 1 já indicam potencial para maior eficácia e segurança”, afirmou Francisco Ramírez-Valle, vice-presidente sênior de pesquisa em imunologia e desenvolvimento clínico inicial da Lilly.
“O anúncio de hoje reflete o trabalho árduo de toda a equipe da Merida, e a união com a Lilly proporciona à nossa ciência os recursos e o comprometimento necessários para concretizar seu potencial em benefício dos pacientes com condições imunomediadas”, comentou Adam Townsend, diretor-presidente da Merida.
Redação / Folhapress





