Pixbet tem suspensão nacional determinada pela Justiça da Paraíba e multa de R$ 4,7 milhões

A decisão foi tomada nesta quarta-feira (2) pelo juiz João Lucas Souto Gil Messias, da Vara da Infância e Juventude de Campina Grande.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

A Justiça da Paraíba determinou a suspensão das plataformas de apostas da Pixbet em todo o território nacional. A decisão foi tomada nesta quarta-feira (2) pelo juiz João Lucas Souto Gil Messias, da Vara da Infância e Juventude de Campina Grande.

O magistrado determinou que o Ministério da Fazenda e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adotem as medidas necessárias para suspender sites e aplicativos relacionados à operação da empresa.

A decisão está relacionada ao cumprimento de uma determinação judicial anterior que exigia informações sobre os mecanismos utilizados pela plataforma para impedir o acesso de crianças e adolescentes às apostas.

Segundo a decisão, as informações apresentadas não foram suficientes para comprovar a existência de mecanismos considerados eficazes para impedir a participação de menores de idade.

Justiça estabelece multa de R$ 4,7 milhões

Além da suspensão, a Justiça determinou o pagamento de R$ 4,7 milhões em multa.

A empresa deverá depositar o valor em juízo no prazo de cinco dias após ser intimada, conforme estabelecido na decisão.

Até a última atualização das informações divulgadas sobre o caso, a defesa da Pixbet não havia se manifestado sobre essa determinação judicial.

Sistemas da empresa passarão por perícia

O juiz também determinou a realização de uma perícia técnica nos sistemas utilizados pela Pixbet.

Um especialista deverá analisar, entre outros elementos:

  • plataformas e sistemas;
  • código-fonte;
  • bancos de dados;
  • mecanismos de identificação dos usuários;
  • sistemas de biometria;
  • ferramentas destinadas à proteção de menores de idade.

A perícia deverá verificar se esses mecanismos funcionam efetivamente e se existem possibilidades de serem burlados.

Caso envolve acesso de menores às apostas

A decisão desta quarta-feira é um desdobramento de uma determinação anterior da Vara da Infância e Juventude de Campina Grande.

O processo busca verificar quais medidas são utilizadas para impedir que crianças e adolescentes acessem plataformas de apostas, atividade proibida para menores de 18 anos.

De acordo com a decisão, as explicações apresentadas até agora não comprovaram de maneira suficiente a eficácia dos mecanismos adotados pela empresa.

A suspensão deverá permanecer submetida às determinações judiciais do processo.

Pixbet já havia sido suspensa pelo Ministério da Fazenda

Antes dessa nova decisão judicial, o Ministério da Fazenda já havia determinado a suspensão da operação da Pixbet.

A medida administrativa estabeleceu, entre outras providências, o cancelamento das apostas que estavam em andamento e a devolução dos valores aos usuários, conforme as regras definidas pelo órgão.

A nova determinação da Justiça da Paraíba é independente dessa medida administrativa e está relacionada especificamente ao processo que discute os mecanismos de proteção contra o acesso de menores.

Empresa também é investigada na Operação Arena

A Pixbet também está entre os alvos da Operação Arena, deflagrada em agosto por órgãos como Polícia Federal, Ministério Público, Ministério da Fazenda e Receita Federal.

A investigação apura suspeitas de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros crimes contra o sistema financeiro nacional envolvendo um grupo empresarial ligado ao setor de apostas.

Segundo os investigadores, estruturas societárias e financeiras no exterior teriam sido utilizadas para ocultar a origem e o destino de recursos provenientes de jogos e apostas.

As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação definitiva dos envolvidos.

Operação teve 19 mandados e bloqueio bilionário

A Operação Arena cumpriu 19 mandados de busca e apreensão na Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.

Também foram autorizadas medidas de quebra de sigilos e o sequestro de valores de até R$ 1,1 bilhão, segundo as informações divulgadas sobre a investigação.

Em Campina Grande, a sede da Pixbet foi alvo das buscas.

A defesa da empresa informou anteriormente que aguardava acesso integral às decisões relacionadas à operação para se manifestar sobre as acusações.

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