A menopausa raramente acontece de forma repentina, como muita gente imagina. Embora o marco oficial seja a ausência de menstruação por 12 meses seguidos, os primeiros sinais podem aparecer bem antes — muitas vezes a partir dos 40 anos. A ginecologista Ana Horovitz explica que essa etapa anterior, chamada perimenopausa, é marcada por oscilações hormonais que nem sempre são reconhecidas como parte da transição.
Na prática, isso faz com que muitas mulheres passem por consultas em diferentes especialidades tentando entender queixas como irritabilidade, ansiedade, cansaço persistente e piora do sono, sem associar os sintomas ao funcionamento dos ovários. “A menopausa é um marco, mas a transição costuma ser gradual e pode começar anos antes”, afirma a médica.
A idade média da menopausa é em torno dos 51 anos, mas a transição pode começar entre 40 e 45 anos — e, em alguns casos, ainda mais cedo. Nessa fase, a produção de estrogênio e progesterona se torna menos regular, provocando variações que se refletem no corpo e no bem-estar.
As irregularidades menstruais estão entre os sinais mais conhecidos. O ciclo pode encurtar ou alongar, e o fluxo pode mudar. Ainda assim, nem sempre essa é a principal queixa: há mulheres que percebem primeiro mudanças emocionais e cognitivas, como dificuldade de concentração, lapsos de memória, sensação de esgotamento e queda da disposição física.
Como esses sintomas também podem ser atribuídos ao estresse, à rotina familiar ou ao envelhecimento, o reconhecimento do quadro tende a demorar. Segundo diretrizes da North American Menopause Society, a perimenopausa pode durar de quatro a oito anos, variando de mulher para mulher.

Sintomas vão além das ondas de calor
Os fogachos (ondas de calor) são um sinal frequente, mas estão longe de resumir a perimenopausa. Distúrbios do sono aparecem entre as queixas mais comuns: sono superficial, despertares repetidos e sensação de descanso insuficiente. Esse padrão costuma alimentar um efeito em cascata, com queda de produtividade, dificuldade de concentração e aumento do cansaço durante o dia.
As oscilações hormonais também podem interferir em substâncias do cérebro relacionadas ao humor. “Ansiedade, irritabilidade e maior sensibilidade emocional podem surgir ou se intensificar nesse período”, alerta Ana Horovitz. Em alguns casos, sintomas depressivos também podem aparecer.
Outras mudanças relatadas incluem redução da libido, ressecamento vaginal, dores articulares, aumento de gordura abdominal e alterações na composição corporal, mesmo sem mudança importante na alimentação. A intensidade e a combinação dos sintomas variam: algumas mulheres atravessam a transição com pouco desconforto, enquanto outras sentem impacto relevante na qualidade de vida.
Como se preparar para atravessar a fase com mais saúde
A transição menopausal tem sido cada vez mais vista como um período estratégico para olhar a saúde de forma ampla. Nessa fase, ganha peso a atenção a temas como saúde cardiovascular, densidade óssea, composição corporal, qualidade do sono e saúde mental.
Entre as medidas mais recomendadas estão:
- · Atividade física regular, com destaque para exercícios de força, que ajudam a preservar massa muscular e saúde óssea;
- · Alimentação equilibrada, para apoiar o controle de peso e reduzir riscos metabólicos;
- · Prioridade ao sono e estratégias de manejo do estresse, especialmente quando há piora do descanso noturno.
O acompanhamento ginecológico também é apontado como peça central para avaliar cada caso. A terapia hormonal pode ser indicada para algumas mulheres, com potencial de ser segura e eficaz quando há avaliação criteriosa e indicação adequada. “Hoje sabemos que não é uma fase para ser suportada em silêncio; existem recursos para aliviar sintomas e melhorar o bem-estar”, destaca a especialista.
No geral, a principal orientação é não esperar a última menstruação para começar a observar mudanças. A menopausa é resultado de um processo que pode se estender por anos, e reconhecer os sinais precoces da perimenopausa pode transformar um período cercado de dúvidas em uma etapa de cuidado, planejamento e promoção da saúde.


