Perder dentes não é consequência natural da idade: entenda os impactos da perda dentária na qualidade de vida

Ricardo Chaguri
Ricardo Chaguri
Dr. Ricardo Henrique Chaguri é cirurgião-dentista formado pela Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) e especialista em Periodontia pela Associação Odontológica de Ribeirão Preto (AORP). Atua nas áreas de reabilitação oral, implantodontia e estética dental, com constante aperfeiçoamento em novas técnicas e tecnologias voltadas à promoção da saúde bucal e da qualidade de vida.

Perder dentes ainda é uma realidade para milhões de brasileiros, especialmente com o avanço da idade. Mas é importante desconstruir uma ideia que atravessou gerações: ficar sem dentes não deve ser considerado uma consequência natural do envelhecimento.

Dados do SB Brasil 2023, Pesquisa Nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, mostram que 36,5% dos brasileiros entre 65 e 74 anos perderam todos os dentes. Embora o número ainda seja alto, representa uma melhora em relação a 2010, quando o índice estava acima de 50%.

Outro dado ajuda a dimensionar o problema: 48,1% dos idosos apresentam perda dentária severa e 72,9% não possuem dentição considerada funcional.

Esses números são importantes porque a perda de dentes não deve ser analisada somente do ponto de vista estético. Ela pode comprometer a mastigação, alterar a distribuição das forças da mordida e provocar mudanças no equilíbrio de todo o sistema mastigatório.

Quando um paciente perde um ou mais dentes, precisamos avaliar o que aconteceu com todo o conjunto. Os dentes vizinhos podem se movimentar, a mastigação pode ficar sobrecarregada de um lado e a mordida pode sofrer alterações. Por isso, reabilitar não significa simplesmente preencher o espaço de um dente perdido.

Os implantes dentários ampliaram significativamente as possibilidades de tratamento para pacientes que perderam dentes, mas a indicação precisa fazer parte de um planejamento mais amplo. Antes de definir uma reabilitação, é necessário avaliar os dentes remanescentes, a saúde da gengiva, a estrutura óssea, a mordida, a função mastigatória e as condições gerais de saúde do paciente.

Um dos principais erros é imaginar que existe uma solução igual para todos. Há casos em que precisamos substituir um único dente e outros que exigem uma reconstrução mais ampla. Também existem situações em que preservar um dente natural é a melhor escolha. O diagnóstico é o que determina o caminho.

A tecnologia também tornou esse planejamento mais preciso. Recursos como tomografia computadorizada, escaneamento intraoral, planejamento digital e cirurgia guiada permitem analisar estruturas ósseas, posicionamento dos dentes e condições anatômicas antes de determinadas etapas do tratamento.

Quando falamos em reabilitação, não estamos falando apenas de voltar a ter dentes. Estamos falando em recuperar condições para mastigar, sorrir e realizar atividades cotidianas com mais segurança. O implante pode ser uma ferramenta importante nesse processo, mas o resultado começa muito antes da cirurgia: começa no diagnóstico e no planejamento.

Com o aumento da expectativa de vida da população, preservar dentes naturais pelo maior tempo possível e reabilitar adequadamente aqueles que foram perdidos tende a se tornar uma questão cada vez mais relevante.

O objetivo da odontologia não é colocar o maior número possível de implantes. É preservar o que pode ser preservado e reconstruir, com planejamento, aquilo que foi perdido.

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