Rede grande não é conexão

Cárla Falcão
Cárla Falcãohttps://www.instagram.com/carlafalcao_
Empreendedora, especialista em LinkedIn, mentora e comunicadora. Há mais de 20 anos trabalha com marketing, pessoas e negócios e já treinou mais de 5 mil profissionais. Em sua trajetória, comportamento e conexões sempre estiveram presentes, primeiro nas histórias sobre maternidade e vida real e, hoje, também no universo profissional. Em seus conteúdos, conecta carreira, empreendedorismo, relações e negócios a partir de uma convicção: por trás de toda oportunidade existem pessoas e rede grande não é conexão.

Durante muitos anos, escrever e falar sobre comportamento, maternidade e vida real fez parte da minha rotina. Em minha coluna Aventuras de Mãe, muitas das reflexões passavam pela importância dos vínculos: a conexão com os filhos, com a família, com nós mesmas e pelas oportunidades que criamos, ou deixamos de criar, para estarmos verdadeiramente presentes na vida de quem importa.

Com o tempo, o empreendedorismo, os negócios, as mentorias e o LinkedIn passaram a ocupar um espaço cada vez maior na minha trajetória profissional. E foi interessante perceber que esses universos, que à primeira vista poderiam parecer tão diferentes, sempre estiveram ligados pelo mesmo pilar. Continuo falando sobre pessoas e sobre a maneira como construímos relações.

É justamente desse encontro que nasce minha coluna aqui no TH+. Quero trazer para este espaço reflexões sobre comportamento, carreira, empreendedorismo, LinkedIn, networking e negócios, sem separar a pessoa do profissional. A maneira como nos relacionamos interfere na forma como trabalhamos, lideramos, vendemos, empreendemos, mudamos de carreira e reconhecemos oportunidades.

Por isso, quero começar nossa conversa com uma frase que carrega muito do que acredito: rede grande não é conexão.

Vivemos uma época em que nunca foi tão fácil conhecer pessoas. Participamos de eventos, trocamos contatos, seguimos uns aos outros nas redes sociais e construímos redes com centenas ou milhares de nomes. Ainda assim, ter acesso a muitas pessoas não significa necessariamente ter relações com elas.

Essa é uma das coisas que mais observo depois de tantos anos trabalhando com LinkedIn, posicionamento e negócios. Existe uma preocupação enorme em ampliar a rede, enquanto uma parte importante das oportunidades pode estar justamente nas relações que já construímos ao longo da vida profissional.

Gosto de pensar nessas relações como uma espécie de capital social. Ex-colegas de trabalho, clientes, fornecedores, gestores, parceiros e pessoas que conhecemos em cursos, empresas, eventos e projetos formam um patrimônio construído durante anos. São pessoas que conhecem nossa história, nossa maneira de trabalhar e, em muitos casos, já estabeleceram conosco algo que não se constrói rapidamente: confiança.

O problema é que podemos deixar todo esse capital parado.

Isso fica muito evidente nas transições profissionais. Alguém passa muitos anos no mundo corporativo, começa a empreender e acredita que precisa construir uma rede completamente nova para encontrar clientes e oportunidades. Antes de sair adicionando centenas de novos contatos, existe uma questão mais relevante: as pessoas que já conhecem você sabem o que você faz hoje?

Um antigo colega pode continuar associando você ao cargo que ocupava dez anos atrás. Um cliente pode não saber que você abriu uma empresa. Um fornecedor com quem trabalhou durante anos pode desconhecer que hoje você presta exatamente um serviço de que ele ou alguém da rede dele precisa. Nossas transformações profissionais não são automaticamente acompanhadas pelas pessoas que conhecemos. Precisamos comunicá-las e continuar presentes.

É nesse ponto que o LinkedIn se torna especialmente interessante. Não porque uma plataforma seja capaz de substituir relacionamento, mas porque ela pode dar continuidade às relações que começaram em outros lugares. Uma conversa em uma feira, uma reunião, um café ou um encontro profissional pode durar alguns minutos. Depois, cada pessoa volta para sua rotina. Quando mantemos essa conexão, continuamos acompanhando projetos, mudanças e ideias e permanecemos na memória uns dos outros.

O mesmo acontece com o networking. Frequentar muitos eventos pode aumentar sua agenda de contatos, mas uma relação profissional não se constrói apenas no momento da apresentação. É o que fazemos depois daquele primeiro encontro que determina se aquela pessoa continuará sendo apenas mais um nome na nossa rede ou se existirá espaço para uma relação.

Ao longo da minha própria trajetória, algumas das oportunidades profissionais mais interessantes nasceram de relações construídas muito antes de existir qualquer possibilidade de negócio. Outras atravessaram a fronteira profissional e se transformaram em parceria, projeto e amizade. Essa experiência reforçou em mim uma percepção que hoje também levo para o meu trabalho: conexões são construídas ao longo do tempo.

Curiosamente, volto ao mesmo lugar de onde comecei quando falava sobre vínculos, filhos, família e vida cotidiana. Tecnologia muda, carreira muda, empresas mudam e nós também mudamos. Mas continuamos precisando aprender a construir e cuidar de relações.

É sobre essas relações, dentro e fora do mundo dos negócios, que quero conversar com você por aqui.

Porque podemos ter milhares de pessoas ao nosso redor e centenas de nomes em uma tela. O tamanho da rede diz quantas pessoas alcançamos. A qualidade das relações diz com quantas realmente nos conectamos.

Rede grande não é conexão.

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS