Encontrar o amor da sua vida não deve ser algo restrito aos livros. Em sua segunda passagem por São Paulo, a autora norte-americana de romance, Lynn Painter, conta que os personagens criados por si não precisam ser considerados “irrealistas”, incentivando suas leitoras a não aceitarem algo apenas por ser fácil ou esperado.
Lynn também conta, em entrevista à Novabrasil, suas expectativas para as adaptações de duas de suas obras para o streaming e para o cinema, “Melhor do que nos filmes”, na Netflix, e “Patinando no Amor”, pela Sony. Ela também compartilhou um pouco do lançamento de “Trust Fall“, previsto para o final de setembro deste ano.
Conhecida pelas obras “Melhor do que nos filmes” (2021) e “Apostando no Amor” (2023), Lynn reuniu uma multidão de fãs na Arena Cultural durante sexta (4) e sábado (5), primeiros dias na Bienal do Livro 2026. A autora já ultrapassou 800 mil livros vendidos no Brasil e acumula uma base fiel de fãs a cada ano.
Confira a entrevista com a autora:
Duda Travalin: Não apenas um, mas dois de seus livros estão sendo adaptados. “Melhor do que nos filmes”, seu primeiro livro, e “Patinando no Amor”. Você já disse que escreve seus livros pensando em fazer com que eles tenham a cara das comédias românticas dos anos 2000. Como é ver isso se tornando realidade e quais são as suas expectativas para os filmes?
Lynn Painter: É inacreditável. Quer dizer, é algo que eu nunca teria imaginado que pudesse ver. Eu fico sentada na frente de um computador e passo o dia sonhando acordada, esse é o meu trabalho. Então, ver tudo isso ganhando vida na minha frente é simplesmente impressionante. Mas tenho expectativas muito boas para isso, porque toda a equipe envolvida é formada por pessoas incríveis. E elas são muito cuidadosas e conscientes com o fato de que os leitores conheceram os personagens primeiro. Então, elas querem ser muito fiéis ao livro, e acho que os leitores vão ficar felizes. É simplesmente muito divertido.
D.T.: E você é produtora-executiva de Fake Skating. Você vai estar envolvida de alguma forma na produção de Better Than the Movies?
L.P.: Até agora, tem sido muito colaborativo. O diretor e o produtor, nós trocamos mensagens o tempo todo. Eles estavam trabalhando no roteiro e tinham todo tipo de pergunta, como: “Quando você estava escrevendo essa cena, o que estava pensando?”. Então tem sido uma espécie de projeto coletivo muito divertido. Quer dizer, eles são os especialistas que sabem o que estão fazendo, mas são ótimos em compartilhar informações. E eu pude participar de uma leitura de roteiro na semana passada. Então, pude ouvir todos os atores lendo suas partes. E daqui a algumas semanas vamos começar as filmagens. Então tem sido muito divertido estar envolvida.
D.T.: E, bem, muitos livros estão ganhando adaptações para o cinema. O que você acha disso? Isso não acaba, talvez, com o propósito da leitura?
L.P.: Consigo entender isso, com certeza. Mas acho que é um ótimo ponto de partida para um filme. Sabe, nós queremos continuar assistindo a filmes e acho que, especialmente no romance, existe muito conteúdo ótimo por aí que funciona como livro, mas que também pode funcionar muito bem como filme. Então, para mim, ter os dois é apenas um bônus, em vez de tirar o propósito da leitura. É só acrescentar um bônus. Você pode ler o livro e, alguns anos depois, assistir ao filme também. Então acho maravilhoso.
D.T.: Falando em romance, eu vou falar de Wes Bennett. Ele e seus outros protagonistas masculinos se tornaram muito queridos pelas mulheres que leem os seus livros. Em uma entrevista ao Estadão, você disse que faz com que a maioria dos seus personagens masculinos sejam “green flags”. Você acha que esse tipo de representação de “homens escritos por mulheres” é mais importante do que nunca para estabelecer altas expectativas para o amor e para o companheirismo às mulheres?
L.P.: Com certeza. Eu realmente acho que sim. Nós não deveríamos nos contentar com menos. E eu não acho que seja, sabe, as pessoas brincam: “Ah, isso é irrealista”. Mas não é irrealista querer um parceiro que goste das suas ideias, respeite as suas opiniões e queira o melhor para você. Então eu nunca vou parar de escrever personagens que, na minha cabeça, são pessoas que deveriam conhecer a protagonista. Eu sinto que não deveríamos nos contentar com menos.
D.T.: E você disse que um de seus filhos comentou que, quando escreve seus personagens masculinos, pensa em uma mulher como um homem, só dizendo alguns palavrões a mais. Como você conversa com seus filhos sobre os seus personagens?
L.P.: Bom, meus filhos já são adultos. Sabe, todos estão na casa dos 20 anos. Então, de qualquer forma, acho que eles não querem muito ouvir minhas opiniões sobre homens. Eu acho que eles brincam comigo, mas também sei que eles são bons garotos. Gosto de pensar, pelo menos, que eles são “green flags”, sabe? Então, acho que esses são simplesmente os tipos de homens que eu gosto de ter por perto. Felizmente, meu marido é um desses caras. Ele é simplesmente, não sei… Posso dizer que você é uma “green flag”? [Olha para o esposo] Sabe, alguém que é respeitoso, se importa com o que você pensa e não passa por cima de você. Então eu só quero continuar colocando esses personagens por aí.
D.T.: Mudando completamente de assunto, como você enxerga as músicas que coloca nos livros como parte da narrativa e como escolhe essas músicas?
L.P.: Eu gasto tempo demais escolhendo. Mas, para mim, de verdade, e talvez de uma maneira egoísta, eu faço isso por mim mesma. E isso acabou se tornando algo que me conecta com os leitores. Quando começo a escrever uma história, simplesmente monto uma playlist com as músicas que combinam com o clima. Sabe, tipo: “Ah, é assim que essa cena vai parecer”. E, conforme vou definindo melhor uma cena, fico muito literal e começo a pensar como se fosse uma curadora musical. E penso: “Que música estaria tocando durante essa cena?” Mas, para mim, isso realmente acrescenta à experiência. É como se eu soubesse que, naquela cena específica, essa música toca, e isso conecta tudo. Então é realmente muito divertido para mim.
D.T.: E você colocou músicas do Jão em um dos seus livros. Como você chegou até ele?
L.P.: Sabe, uma pessoa que trabalha para a minha editora, Marina – acho que foi depois da primeira vez que vim para cá – ela me falou sobre ele, porque nós compartilhamos muitos interesses musicais. E eu comecei a ouvir. E, claro, eu não falo português. Mas amo a música dele. E foi um presente enorme para mim descobrir algo que eu nem sabia que existia. E agora o novo álbum dele está incrível. É realmente incrível.
D.T.: Falando em descobertas, “Trust Fall” será lançado no final de setembro. Você pode nos dar um pequeno spoiler de uma cena que está animada para incluir?
L.P.: A história se passa em Nova York, no outono. E é meio que uma história de “inimigos que se apaixonam”, uma mistura de Gilmore Girls com Gossip Girl. E uma das minhas cenas favoritas é justamente o encontro inicial dos dois. Minha editora brinca comigo. Ele chama de “meet-ick”. Porque eles definitivamente se conhecem e definitivamente não gostam um do outro. E talvez aconteça uma violência física acidental entre os dois. E é simplesmente muito divertido. Então estou super animada.
D.T.: E você falou sobre “meet-cute”, “meet-ick” e “enemies to lovers”. O que você acha de caracterizar os livros usando tropes?
L.P.: Sabe, eu não me importo com isso porque acho que, no romance, muitas pessoas podem enxergar os tropes como um clichê. Mas eu vejo isso mais como um ótimo ponto de partida. Existem tantos. Por exemplo, se eu vejo um daqueles gráficos que mostram os tropes e penso: “Ah, tem relacionamento falso e inimigos que se apaixonam. Talvez esse livro seja para mim”. É quase como um atalho para chegar ao início da fila de algo de que você talvez goste. Então eu não me incomodo com os tropes.
D.T.: É a sua segunda vez visitando o Brasil. O que você está achando?
L.P.: Na verdade, esta é a minha quarta vez. Minha segunda vez em São Paulo. Mas eu só quero agradecer aos leitores brasileiros. É uma daquelas coisas em que é legal ter um mercado em que você pensa: “Ah, o Brasil gosta dos meus livros”. Mas é mais do que isso. Eu conheço tantas pessoas incríveis. E penso naqueles amigos de quem estava falando antes. É como se eu tivesse uma família no Brasil, porque já estive aqui algumas vezes e todo mundo é tão acolhedor, apaixonado e gentil. Obrigada, leitores brasileiros.

