Nordeste registra incidência de 48% de apostadores ilegais, aponta Instituto Locomotiva

O percentual nordestino é igual ao registrado na região Norte e fica abaixo dos índices encontrados no Sudeste, com 49%; Sul, com 54%; e Centro-Oeste, com 56%.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

Um levantamento realizado pelo Instituto Locomotiva aponta que 48% dos apostadores pesquisados no Nordeste foram enquadrados em critérios associados ao mercado ilegal de apostas online.

O percentual nordestino é igual ao registrado na região Norte e fica abaixo dos índices encontrados no Sudeste, com 49%; Sul, com 54%; e Centro-Oeste, com 56%.

Os números não significam que 48% de toda a população nordestina faça apostas ilegais. A pesquisa foi realizada especificamente entre pessoas que declararam jogar em apostas esportivas ou cassinos online.

O levantamento ouviu 2.291 apostadores em todo o Brasil em maio de 2026.

Como a pesquisa definiu um apostador ilegal?

Para enquadrar um entrevistado nessa categoria, o estudo considerou a declaração de duas ou mais práticas consideradas irregulares nos três meses anteriores à pesquisa.

Entre os comportamentos relatados pelos entrevistados em âmbito nacional, 53% disseram ter usado sites sem exigência de reconhecimento facial, enquanto 48% afirmaram ter apostado em plataformas cujo endereço não terminava em “bet.br”.

Outros 37% relataram depósitos por cartão de crédito e 23% por criptoativos.

Os percentuais representam práticas identificadas entre os participantes e podem se sobrepor, ou seja, um mesmo entrevistado pode ter relatado mais de uma delas.

Desde 1º de janeiro de 2025, empresas que oferecem apostas de quota fixa nacionalmente precisam de autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

Os sites autorizados pelo governo federal utilizam obrigatoriamente endereços terminados em “.bet.br”. O Ministério da Fazenda também mantém uma relação oficial das empresas que possuem autorização vigente para operar no país.

A regulamentação estabelece ainda mecanismos de identificação e autenticação dos usuários. Em determinadas situações, como alteração cadastral, retirada de recursos e recuperação de acesso, é exigido reconhecimento facial.

As regras do mercado regulado também limitam as formas de pagamento utilizadas nas apostas.

Cartões de crédito não podem ser usados para financiar apostas em empresas autorizadas. A regulamentação permite meios pré-pagos e transferências eletrônicas previstas nas normas, mas proíbe modalidades de pagamento pós-pago.

Também não são admitidos aportes feitos com ativos virtuais ou criptoativos, além de dinheiro em espécie, boletos, cheques e recursos enviados por terceiros.

Esses elementos podem ajudar o consumidor a perceber sinais de que está acessando uma plataforma que atua fora do mercado federal regulado.

Os dados do Instituto Locomotiva foram utilizados em outro estudo, denominado “Dimensionamento e combate do mercado ilegal de apostas no Brasil”, elaborado pela LCA Consultores a pedido do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável.

A estimativa é de que entre 38% e 44% do volume de apostas online no Brasil esteja atualmente no mercado ilegal.

No levantamento anterior, referente a 2025, a estimativa variava entre 41% e 51%.

Embora os números indiquem redução na participação estimada das plataformas clandestinas, o próprio estudo aponta que o mercado ilegal continua representando uma parcela expressiva do setor.

O levantamento econômico foi realizado pela LCA Consultores, utilizando dados produzidos pelo Instituto Locomotiva, e encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).

A identificação do contratante é relevante para a leitura dos resultados, uma vez que o IBJR representa empresas ligadas ao mercado regulado de apostas.

Os dados apresentados, portanto, devem ser interpretados dentro da metodologia e do universo de entrevistados definidos pela pesquisa.

Além da regulamentação das empresas legalizadas, o governo federal vem adotando medidas para dificultar a atuação de plataformas sem autorização.

As ações incluem bloqueio de endereços eletrônicos e restrições às movimentações financeiras relacionadas a operadores ilegais.

Em junho de 2026, o Conselho Monetário Nacional também regulamentou medidas para bloqueio de contas e impedimento de transações financeiras de pessoas ou empresas que explorem apostas de quota fixa sem autorização.

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