Candidatura de Vitor Hugo é indeferida pelo TRE-PB após ação baseada na Operação En Passant

A decisão foi tomada por maioria durante sessão da Corte Eleitoral e acolheu uma ação de impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.
Foto: Reprodução/Internet

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) indeferiu nesta segunda-feira (14) o registro de candidatura do ex-prefeito de Cabedelo Vitor Hugo (MDB) ao cargo de deputado estadual nas Eleições 2026.

A decisão foi tomada por maioria durante sessão da Corte Eleitoral e acolheu uma ação de impugnação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

O Ministério Público sustenta que elementos obtidos no âmbito da Operação En Passant apontariam uma suposta relação consciente do grupo político ligado a Vitor Hugo com integrantes de uma organização criminosa.

A decisão ainda cabe recurso às instâncias superiores da Justiça Eleitoral.

MPE usou investigação da Operação En Passant

A impugnação foi apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral e tramita no processo nº 0600265-19.2026.6.15.0000.

O MPE invocou o artigo 17, parágrafo 4º, da Constituição Federal, que veda aos partidos políticos a utilização de organização paramilitar.

Na interpretação defendida pelo Ministério Público no processo, os elementos relacionados à Operação En Passant apontariam para uma suposta vinculação consciente entre o grupo político comandado por Vitor Hugo e integrantes de uma organização criminosa armada.

A maioria do TRE-PB acolheu os argumentos apresentados na impugnação e decidiu pelo indeferimento do registro.

Operação investigou suposta relação entre política e facção

A Operação En Passant foi deflagrada a partir de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público envolvendo suspeitas de interferência de integrantes de organização criminosa no ambiente político de Cabedelo.

Segundo o Ministério Público, as investigações reuniram elementos que indicariam uma suposta relação entre agentes políticos e integrantes da facção conhecida como Tropa do Amigão, apontada pelas autoridades como ligada ao Comando Vermelho.

Entre os materiais mencionados pelo MPE estão comprovantes de votação, chaves Pix e registros de transferências financeiras encontrados em aparelho apreendido durante as investigações.

Para a acusação, os dados fariam parte de elementos relacionados a uma possível estrutura de cooperação entre agentes políticos e integrantes do grupo criminoso.

As acusações ainda são discutidas em procedimentos próprios e não devem ser confundidas com condenação criminal definitiva de Vitor Hugo.

Ministério Público já havia denunciado ex-prefeito

Em agosto de 2025, o Ministério Público Federal apresentou denúncia criminal contra Vitor Hugo, o então prefeito André Coutinho, o vereador Márcio Alexandre e outras pessoas no âmbito das investigações relacionadas à Operação En Passant.

A acusação tratou de suspeitas envolvendo corrupção eleitoral, organização criminosa e peculato.

A existência da denúncia, porém, também não equivale a condenação.

O processo eleitoral analisado nesta segunda-feira possui finalidade diferente: definir se Vitor Hugo reúne as condições necessárias para disputar a eleição de 2026.

Vitor Hugo já havia contestado pedido do MPE

Quando a impugnação foi apresentada, em agosto, Vitor Hugo afirmou ter recebido o pedido com surpresa e sustentou que preenchia os requisitos para disputar o pleito.

Na ocasião, o ex-prefeito declarou acreditar que poderia permanecer na eleição e questionou o fato de a medida ter sido direcionada contra sua candidatura.

Nesta segunda-feira, após o julgamento, a imprensa tentou contato com Vitor Hugo, mas não havia obtido novo posicionamento até a última atualização.

O que acontece agora?

O indeferimento pelo TRE-PB não significa necessariamente o encerramento definitivo da candidatura.

A defesa poderá apresentar recurso contra a decisão e levar o processo às instâncias superiores da Justiça Eleitoral, inclusive ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme as regras processuais aplicáveis.

Enquanto houver recurso pendente, a situação da candidatura poderá aparecer nos sistemas eleitorais com indicação relacionada ao indeferimento e à existência de recurso, conforme a fase processual.

A definição definitiva dependerá do trânsito em julgado ou do esgotamento das possibilidades de recurso.

Julgamento ocorre no último dia do prazo para registros

A decisão foi tomada justamente nesta segunda-feira (14), data prevista no calendário eleitoral como limite para julgamento dos pedidos de registro de candidatura, inclusive aqueles que receberam impugnações.

Até a semana passada, o TRE-PB havia informado ter analisado mais de 93% dos processos de registro apresentados para as Eleições 2026.

O caso de Vitor Hugo estava entre os processos ainda aguardados por envolver uma das impugnações de maior repercussão política no estado.

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