Nova tecnologia usa fêmeas do Aedes para levar larvicida até criadouros em João Pessoa

A primeira Estação Disseminadora de Larvicidas (EDL) da Capital foi instalada nesta segunda-feira (14), no bairro Jardim Veneza.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

João Pessoa começou a utilizar uma nova estratégia no combate ao Aedes aegypti: o próprio mosquito passa a transportar partículas de larvicida para locais onde pode haver reprodução da espécie.

A primeira Estação Disseminadora de Larvicidas (EDL) da Capital foi instalada nesta segunda-feira (14), no bairro Jardim Veneza.

A Secretaria Municipal de Saúde prevê a implantação gradual de mais de 800 estações em pontos estratégicos de João Pessoa, como cemitérios, rodoviárias, sucatas e ferros-velhos.

A tecnologia é fornecida pelo Ministério da Saúde e funciona como uma ferramenta complementar às ações já realizadas contra o mosquito transmissor de dengue, zika e chikungunya.

Como o próprio mosquito espalha o larvicida?

A estratégia aproveita um comportamento natural da fêmea do Aedes aegypti.

A estação contém água para atrair o mosquito e possui uma superfície impregnada com partículas de larvicida.

Quando a fêmea entra na estrutura, parte do produto adere às patas e ao corpo.

Ao deixar a estação e procurar outros recipientes com água para depositar seus ovos, o mosquito pode transportar pequenas quantidades do produto para esses locais.

O larvicida então interfere no desenvolvimento dos mosquitos ainda nas fases de larva e pupa, reduzindo a possibilidade de que cheguem à fase adulta.

Na prática, a estratégia usa o deslocamento do próprio Aedes para alcançar criadouros que muitas vezes são difíceis de localizar pelas equipes de saúde.

Mosquito pode transportar produto para outros criadouros

O Ministério da Saúde explica que as fêmeas do Aedes costumam distribuir seus ovos em diferentes recipientes, comportamento conhecido como oviposição em saltos.

É justamente essa característica que permite a disseminação do produto.

Estudos que embasaram a utilização da tecnologia identificaram disseminação de larvicida em criadouros localizados a aproximadamente 300 a 400 metros das estações, dependendo das condições locais.

A estratégia já integra as metodologias recomendadas nacionalmente para o controle do Aedes.

Primeira estação foi instalada no Jardim Veneza

A primeira EDL de João Pessoa foi colocada na Rua José Lourenço Pereira, dentro de um ferro-velho industrial no Jardim Veneza.

O local foi classificado pela Vigilância Ambiental como ponto estratégico.

A escolha ocorreu após análise da área e levou em consideração a existência de grande quantidade de recipientes e materiais que podem acumular água.

Ambientes desse tipo recebem atenção especial porque oferecem condições favoráveis para o desenvolvimento do mosquito.

Mais de 800 estações serão instaladas

Segundo a Gerência de Vigilância Ambiental de João Pessoa, o Ministério da Saúde está destinando mais de 800 Estações Disseminadoras de Larvicidas ao município.

A implantação começou pelo Distrito Sanitário I e deverá avançar gradualmente para outras regiões.

A definição dos locais será baseada em levantamentos feitos pelas equipes responsáveis pelo monitoramento do mosquito.

Entre os pontos que poderão receber as estações estão:

  • cemitérios;
  • ferros-velhos;
  • sucatas;
  • rodoviárias;
  • imóveis considerados estratégicos;
  • áreas com grande quantidade de objetos capazes de acumular água.

Agentes visitarão estações a cada 15 dias

As estruturas precisarão de manutenção periódica.

Os agentes de combate às endemias deverão realizar visitas a cada 15 dias para verificar as condições dos equipamentos e repor a água quando necessário.

A superfície impregnada com larvicida deverá ser substituída a cada 30 dias.

Cada equipamento terá localização geográfica registrada, permitindo que a Vigilância Ambiental acompanhe onde as estações estão instaladas e as condições encontradas durante as visitas.

As informações também poderão ser compartilhadas com as secretarias estadual e federal de Saúde.

João Pessoa já possui 625 ovitrampas

A nova estratégia se soma a outra tecnologia já utilizada na Capital.

João Pessoa possui 625 ovitrampas distribuídas pelo município.

Apesar de parecidas visualmente com armadilhas, as duas tecnologias têm funções diferentes.

Qual a diferença entre ovitrampa e EDL?

A ovitrampa é utilizada principalmente para monitorar a presença e a intensidade da circulação do Aedes.

Ela atrai a fêmea para a postura de ovos, permitindo que as equipes contabilizem e acompanhem os níveis de infestação em diferentes regiões.

Já a Estação Disseminadora de Larvicidas tem função de controle.

Ela utiliza o próprio mosquito para transportar o produto até outros possíveis criadouros.

Resumindo:

Ovitrampa: ajuda a descobrir onde e com que intensidade o mosquito está circulando.

EDL: ajuda a levar larvicida até criadouros que podem estar escondidos.

As duas ferramentas podem ser utilizadas de forma complementar.

Tecnologia não elimina necessidade de combater água parada

Apesar da inovação, as estações não substituem as medidas tradicionais de prevenção.

O Ministério da Saúde considera a eliminação e o manejo de criadouros a principal estratégia contra a proliferação do Aedes.

Por isso, moradores continuam sendo orientados a:

  • manter caixas d’água fechadas;
  • eliminar recipientes que acumulem água;
  • guardar pneus em locais cobertos;
  • limpar calhas e recipientes;
  • manter piscinas tratadas;
  • verificar semanalmente quintais e áreas externas.

A Vigilância Ambiental também destaca a necessidade de permitir a entrada dos agentes de combate às endemias nos imóveis durante as vistorias.

Por que a estratégia começa em pontos como ferro-velho?

Locais com grande quantidade de recipientes expostos são considerados estratégicos porque podem concentrar diversos pontos de acúmulo de água.

Um único ferro-velho, por exemplo, pode possuir pneus, peças, recipientes, sucatas e outros materiais capazes de se transformar em criadouros depois das chuvas.

A estratégia busca justamente alcançar criadouros que podem passar despercebidos durante as inspeções convencionais.

Estações fazem parte de estratégia nacional

As Estações Disseminadoras de Larvicidas passaram a integrar as estratégias recomendadas pelo Ministério da Saúde após estudos realizados pela Fiocruz Amazônia.

A tecnologia é adotada como medida complementar de controle do Aedes aegypti e do Aedes albopictus.

Em João Pessoa, a expectativa é que a implantação das mais de 800 unidades amplie a capacidade de controle do mosquito e contribua para reduzir o risco de transmissão de dengue, zika e chikungunya.

O impacto da estratégia deverá ser acompanhado pelas equipes de Vigilância Ambiental ao longo da implantação.

Em números

Primeira EDL: instalada em 14 de setembro
Local: Jardim Veneza
Quantidade prevista: mais de 800 estações
Ovitrampas já instaladas: 625
Vistoria das EDLs: a cada 15 dias
Troca da superfície com larvicida: a cada 30 dias
Pontos prioritários: cemitérios, rodoviárias, sucatas, ferros-velhos e outros imóveis estratégicos

COMPARTILHAR:

Participe do grupo e receba as principais notícias de Campinas e região na palma da sua mão.

Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

NOTÍCIAS RELACIONADAS