A Justiça da Paraíba deve realizar nesta quarta-feira (16) uma nova audiência de instrução do processo que apura a morte de Silvanildo Félix de Araújo, atingido por uma facada enquanto trabalhava em um restaurante no bairro dos Bancários, em João Pessoa.
O acusado no processo, Josiel Alexandre da Silva, deverá ser interrogado durante a audiência. Também está prevista a oitiva de uma testemunha que não compareceu à etapa anterior.
Segundo o advogado Carlos Dantas, que atua como assistente de acusação em nome da família de Silvanildo, a expectativa é que os atos previstos permitam o encerramento da fase de instrução.
Josiel permanece preso preventivamente, segundo a assistência de acusação. Ele ainda não foi julgado pelo Tribunal do Júri e tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
Testemunha deve ser ouvida e acusado será interrogado
De acordo com Carlos Dantas, uma das testemunhas que deixou de comparecer anteriormente deverá ser apresentada à Justiça para prestar depoimento.
Depois, está previsto o interrogatório de Josiel.
“Teremos ouvida a testemunha restante e faltante, que não compareceu à última audiência, bem como o réu em seu interrogatório”, explicou o advogado.
A ausência de testemunhas já provocou alterações no andamento do processo anteriormente.
A expectativa agora é concluir a produção de provas desta etapa.
O que acontece depois da audiência?
A realização da audiência não significa que Josiel será julgado nesta quarta-feira pelo homicídio.
O processo está na chamada primeira fase do procedimento do Tribunal do Júri, conhecida como instrução preliminar.
Nela, são ouvidas testemunhas, produzidas provas e interrogado o acusado.
Após o encerramento dessa fase e as manifestações da acusação e da defesa, caberá ao juiz decidir qual será o próximo passo.
Entre as possibilidades está a pronúncia, quando o magistrado entende existir prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria para que o acusado seja levado ao Tribunal do Júri.
A decisão de pronúncia não representa condenação.
Se ela ocorrer e se tornar definitiva dentro dessa etapa processual, será posteriormente marcada uma sessão do Tribunal do Júri, quando jurados decidirão sobre a acusação.
Família espera que processo avance
A família de Silvanildo acompanha o processo desde a morte do garçom e espera que a audiência permita o avanço do caso.
A viúva, Alice, afirmou que a demora no andamento do processo prolonga a sensação de sofrimento vivida desde junho do ano passado.
“A gente vive nesse pesadelo, esperando que tudo isso tenha um fim”, relatou.
Ela afirmou ainda que espera a continuidade da prisão do acusado e que o caso chegue a julgamento.
Filha ainda sente ausência do pai, relata família
Durante entrevista concedida às vésperas da audiência, Alice também falou sobre os reflexos da morte na filha do casal.
Segundo ela, a criança ainda demonstra forte saudade do pai e passou por momentos especialmente difíceis em datas comemorativas.
A mãe contou que, durante as atividades do Dia dos Pais na escola, a menina ficou emocionada ao observar os colegas preparando presentes.
Em outro momento recente, segundo Alice, a filha foi encontrada olhando um caderno que pertencia ao pai e observando a letra deixada por ele.
“Às vezes não quer falar, outras vezes fala demais, chorando e lembrando do pai”, relatou.
Uma familiar contou ainda que a menina já manifestou o desejo de que o pai pudesse “voltar para morar na Terra com ela”.
Morte também afetou renda da família
Além do impacto emocional, a morte provocou mudanças financeiras na rotina da família.
Segundo Alice, Silvanildo era uma das principais fontes de renda da casa e mantinha uma jornada extensa de trabalho.
Durante o dia, atuava no restaurante. À noite, de acordo com a viúva, também realizava outras atividades para complementar a renda.
Atualmente, a família conta, entre outros recursos, com a pensão destinada à filha.
Crime aconteceu dentro de restaurante nos Bancários
Silvanildo Félix de Araújo trabalhava em um restaurante no bairro dos Bancários, na Zona Sul de João Pessoa, quando foi atingido por uma faca em 27 de junho de 2025.
Segundo as investigações, vítima e acusado trabalhavam no mesmo estabelecimento.
Após um desentendimento, Silvanildo foi atingido na região do pescoço.
O gerente do restaurante chegou a tentar socorrê-lo e levá-lo ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, mas ele não resistiu.
Acusado se apresentou cinco dias depois
Após o crime, Josiel deixou o local e passou a ser procurado pela polícia.
Ele se apresentou à Polícia Civil em 2 de julho de 2025, cinco dias depois.
Na ocasião, foi cumprido um mandado de prisão preventiva expedido pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.
A prisão foi mantida posteriormente pela Justiça.
Desde então, o processo passou pelas etapas de investigação, denúncia e instrução judicial.
Relato de ameaça anterior também integra histórico do caso
Depois da morte de Silvanildo, um ex-funcionário do restaurante relatou que Josiel já teria protagonizado anteriormente um episódio envolvendo ameaça com faca.
Segundo o relato divulgado na época, o homem afirmou que teve uma faca colocada próxima ao pescoço durante um desentendimento no ambiente de trabalho.
O episódio teria ocorrido antes da morte de Silvanildo.
Esse relato foi apresentado publicamente como alegação de uma testemunha e não deve ser tratado isoladamente como prova de culpa no processo atual.
Próxima etapa dependerá da Justiça
A assistência de acusação espera que, depois das oitivas desta quarta-feira, a instrução seja encerrada e o juiz possa avançar para a decisão sobre a submissão ou não do acusado ao Tribunal do Júri.
Caso Josiel seja pronunciado, ainda haverá etapas processuais antes da realização do julgamento pelos jurados.
A eventual responsabilidade criminal e uma possível pena somente poderão ser definidas ao fim do devido processo legal.


