Polícia vai revisar homicídios sem autoria após preso dizer que matou 80 pessoas na Paraíba

Até o momento, os investigadores afirmam ter reunido elementos que relacionam Jorlan a 16 homicídios ocorridos em aproximadamente três meses no Vale do Mamanguape.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

A Polícia Civil da Paraíba vai revisar inquéritos de homicídios que permanecem sem autoria identificada após Jorlan Lopes da Silva, de 33 anos, afirmar durante interrogatório que teria cometido cerca de 80 assassinatos ao longo da vida.

O número citado pelo investigado, porém, ainda não foi confirmado pela polícia.

Até o momento, os investigadores afirmam ter reunido elementos que relacionam Jorlan a 16 homicídios ocorridos em aproximadamente três meses no Vale do Mamanguape.

Agora, a polícia pretende confrontar o relato feito por ele com provas, perícias, registros policiais e informações de casos ainda não solucionados.

Polícia vai reexaminar inquéritos sem autoria

O delegado Douglas Garcia, responsável pela investigação, explicou que homicídios ainda sem autoria definida serão reavaliados em busca de possíveis vínculos com Jorlan.

“Nós iremos fazer uma revisão nos inquéritos que estão sem autoria e analisar as informações, a fim de identificar elementos que possam recair sobre Jorlan”, afirmou.

A revisão não significa que os crimes serão automaticamente atribuídos ao suspeito.

Para que ele seja relacionado a uma nova ocorrência, será necessário encontrar elementos concretos que indiquem participação em cada caso.

Declaração sobre 80 mortes ainda precisa ser comprovada

Após ser preso, Jorlan afirmou à Polícia Civil que teria matado aproximadamente 80 pessoas ao longo da vida.

O relato chamou a atenção dos investigadores pela quantidade de crimes mencionada.

Apesar disso, a Polícia Civil não considera o número comprovado.

A declaração deverá ser comparada com investigações existentes, datas, locais, circunstâncias dos homicídios, provas periciais e outros elementos reunidos pela polícia.

O delegado Douglas Garcia disse que a quantidade mencionada pelo suspeito é considerada expressiva e que a investigação buscará verificar até que ponto o relato corresponde a fatos registrados.

Investigação já relaciona suspeito a 16 homicídios

Atualmente, Jorlan é investigado em relação a 16 homicídios registrados em um intervalo de cerca de três meses, principalmente na região do Vale do Mamanguape.

A série de crimes investigados começou após ele deixar o sistema prisional, em maio de 2026.

Entre os casos apurados está um duplo homicídio de comerciantes ocorrido em 1º de agosto, em Rio Tinto.

A Polícia Civil também investiga sua possível participação na morte de uma jovem cujo corpo teria sido localizado depois de informações obtidas durante as investigações.

A responsabilidade do suspeito por cada um dos casos ainda deverá ser individualizada nos respectivos inquéritos e processos.

Jorlan foi preso em Mulungu

Jorlan foi preso no domingo (13), em Mulungu, no Agreste da Paraíba, depois de uma operação policial que se estendeu por aproximadamente 48 horas.

Contra ele havia mandado de prisão preventiva.

Segundo a Polícia Civil, o investigado tentou escapar usando vestido, peruca, sandálias femininas e óculos escuros.

Durante parte da fuga, ele também carregava uma criança de aproximadamente dois anos no colo.

A polícia informou posteriormente que a criança não possuía parentesco com Jorlan.

As circunstâncias pelas quais ela estava com o suspeito também passaram a ser apuradas.

Tatuagem teria ajudado policiais a identificá-lo

Segundo o relato policial, o disfarce chegou a dificultar inicialmente a identificação do investigado.

Em determinado momento, porém, uma tatuagem ficou visível, o que teria permitido que os agentes reconhecessem Jorlan.

Ele acabou preso.

Outros dois homens também foram detidos durante a operação, e a Polícia Civil investiga se eles possuem participação em crimes ocorridos na região.

Suspeito teria se escondido em Cabedelo antes da prisão

A investigação aponta que, antes de seguir para Mulungu, Jorlan teria passado por Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa.

Segundo a polícia, ele teria buscado abrigo em uma comunidade associada a uma organização criminosa.

A Polícia Civil também apura uma possível ligação do investigado com uma facção criminosa com atuação na Paraíba.

Essa relação ainda faz parte das investigações.

Prisão ocorreu após trabalho de inteligência

As equipes passaram a acompanhar os deslocamentos do grupo depois de obter informações sobre o paradeiro do suspeito.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também prestou apoio na identificação do veículo utilizado pelos investigados.

Durante uma das abordagens, um homem foi preso, enquanto Jorlan conseguiu escapar.

As buscas continuaram até a localização dele em Mulungu.

Suspeito está no Presídio Sílvio Porto

Após a prisão e a realização dos procedimentos judiciais, Jorlan foi encaminhado na terça-feira (15) para a Penitenciária Desembargador Sílvio Porto, em João Pessoa.

Ele permanece preso preventivamente enquanto as investigações prosseguem.

A prisão preventiva não representa condenação.

As acusações e a responsabilidade por cada homicídio precisarão ser analisadas individualmente pela Justiça, assegurados o contraditório e o direito de defesa.

Revisão poderá ampliar investigação

A nova etapa da apuração pode ampliar significativamente o número de casos analisados pela Polícia Civil.

Os investigadores deverão procurar coincidências entre o relato de Jorlan e homicídios registrados ao longo dos anos, especialmente aqueles em que nenhum autor foi identificado.

Datas, locais, armas utilizadas, perfil das vítimas, dinâmica dos crimes e informações fornecidas pelo próprio suspeito poderão ser confrontados.

A polícia também deverá verificar se detalhes eventualmente mencionados por ele correspondem a informações que não tenham sido divulgadas publicamente.

Somente a existência de provas e indícios específicos poderá permitir que um homicídio seja formalmente relacionado ao investigado.

O que se sabe até agora

Investigado: Jorlan Lopes da Silva, 33 anos
Prisão: domingo, 13 de setembro, em Mulungu
Situação: preso preventivamente no Presídio Sílvio Porto
Homicídios atualmente investigados: 16
Período dos casos recentes: aproximadamente três meses
Região: principalmente Vale do Mamanguape
Declaração do suspeito: afirmou ter cometido cerca de 80 homicídios ao longo da vida
Número de 80 mortes: ainda não confirmado pela Polícia Civil
Nova etapa: revisão de inquéritos de homicídios sem autoria definida
Outra apuração: possível ligação com organização criminosa

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